Após representação de Raul Marcelo, MP abre inquérito para investigar instalação de pedágios eletrônicos (free flow) dentro do perímetro urbano de Sorocaba

Após representação de Raul Marcelo, MP abre inquérito para investigar instalação de pedágios eletrônicos (free flow) dentro do perímetro urbano de Sorocaba Imagem por Divulgação e Texto por Divulgação
  • 29/01/2026 às 12:33
  • Atualizado 29/01/2026 às 12:33
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Após representação do vereador Raul Marcelo (PSOL), o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou inquérito civil para investigar a possível instalação de pórticos de pedágio eletrônico (sistema free flow) em rodovias que cortam áreas urbanas de Sorocaba. A medida foi oficializada pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo do município.

A apuração envolve a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) e a concessionária Rota Sorocabana S.A., responsável pela concessão firmada com o governo estadual dentro do projeto denominado "Rota Sorocabana". Segundo o Ministério Público, há indícios de que a cobrança automática possa ocorrer em trechos das rodovias Raposo Tavares, Celso Charuri, João Leme dos Santos e Castelinho — vias que atravessam bairros densamente povoados da cidade.

De acordo com a portaria, os trechos mencionados foram municipalizados por legislação local, e há norma municipal que proíbe a instalação de praças de pedágio nesses locais. O MP também aponta ausência de consulta pública, falta de estudos de impacto socioeconômico e urbano e inexistência de rotas alternativas adequadas, o que pode afetar o direito de locomoção da população ao impor cobrança para deslocamentos entre bairros do próprio município.

O promotor responsável pelo inquérito é Jorge Alberto de Oliveira Marum, da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo de Sorocaba. Ele destaca possível afronta a princípios como modicidade tarifária, função social da cidade e razoabilidade administrativa, além de risco de sobrecarga no trânsito urbano. A investigação considera que a medida pode atingir direitos difusos ligados à mobilidade urbana.

Como primeiras providências, o Ministério Público notificou a ARTESP e a concessionária para que informem, em até 30 dias, se haverá cobrança de pedágio nos pontos citados. A Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos também será oficiada para prestar esclarecimentos. O inquérito civil poderá embasar eventual ação judicial.

A instauração do inquérito teve origem em representação apresentada por Raul Marcelo, juntamente com outros interessados, que questionaram a legalidade da cobrança de pedágio em trechos urbanos e os impactos diretos à população de Sorocaba.