Saiba como atuava a ‘gangue da correntinha’, desarticulada pela Polícia Civil no centro de SP

Grupo investigado desde janeiro atuava com funções divididas para cercar vítimas, dificultar perseguições e abastecer rede de receptadores que derretia as joias

Saiba como atuava a ‘gangue da correntinha’, desarticulada pela Polícia Civil no centro de SP Imagem por Agência SP e Texto por Agência SP
  • 14/05/2026 às 12:16
  • Atualizado 14/05/2026 às 12:16
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Dos olheiros responsáveis por identificar vítimas distraídas aos receptadores encarregados de derreter as joias roubadas, a Polícia Civil desarticulou uma quadrilha especializada em roubos de correntes de ouro que atuava no centro de São Paulo. O grupo criminoso era dividido em funções diferentes para garantir rapidez nas ações, dificultar perseguições e ocultar a origem das peças após os assaltos.

Nesta quinta-feira (14), os investigados foram alvo da Operação Eldorado, que cumpre 35 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão temporária em endereços da zona leste da capital paulista e nos municípios de Santo André, Carapicuíba e Francisco Morato, na Grande São Paulo. Diversas joias, correntes de ouro e celulares foram apreendidos na ação.

Até o momento, 16 pessoas foram presas temporariamente – nove durante a ação de hoje e outras sete já detidas anteriormente pelo mesmo tipo de crime, que cumprem pena no sistema prisional.

Desde janeiro, a 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) investiga a atuação da quadrilha, responsável por cometer os crimes em plena luz do dia na região da Rua 25 de Março e da Ladeira Porto Geral, na travessa com a Rua Boa Vista. Ao menos dez boletins de ocorrência já identificaram a participação dos investigados nos roubos.

“Conseguimos desarticular uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções desde a abordagem até a receptação. A prisão dos envolvidos é essencial para interromper essa cadeia de crimes e avançar nas investigações de outros possíveis casos. Em algumas situações, a falta de boletim de ocorrência por parte das vítimas dificulta a identificação de todos os delitos”, afirmou o delegado Ronald Quene Justiniano, titular da 1ª Cerco.

Para praticar os crimes, os suspeitos se dividiam em cinco funções previamente definidas. Os “olheiros” eram responsáveis por observar vítimas distraídas, identificar possíveis correntes de ouro e repassar as informações aos assaltantes através de sinais. Em seguida entravam em cena os “puxadores”, encarregados de arrancar os objetos das vítimas com violência e fugir rapidamente.

Durante os crimes, integrantes conhecidos como “paredes” cercavam a vítima para bloquear a visão de testemunhas, dificultar perseguições e ainda indicar direções falsas para despistar quem tentasse localizar os autores. Um dos líderes da quadrilha, que exercia essa função, foi preso em Santo André.

Após o roubo, as joias eram entregues a integrantes responsáveis pelo apoio logístico, que deixavam o local com os objetos para evitar flagrantes. Na sequência, o material seguia para uma rede de receptadores instalada em estabelecimentos comerciais na região da Sé, no centro da capital.

De acordo com a investigação, os receptadores compravam as correntes roubadas e derretiam o ouro para dificultar a identificação da origem das peças. Ao todo, cinco integrantes do núcleo foram detidos.

Os investigados presos nesta quinta-feira devem responder por receptação, associação criminosa, roubo e corrupção de menores.