Cavalaria do Baep em Sorocaba utiliza equoterapia para auxiliar crianças e fortalecer vínculo com a comunidade

Projeto social retomado há cerca de um ano atende crianças com necessidades especiais e une terapia, inclusão e cuidado com cavalos da Polícia Militar

Cavalaria do Baep em Sorocaba utiliza equoterapia para auxiliar crianças e fortalecer vínculo com a comunidade Imagem por Jornal Z Norte e Texto por Alyne Troiano / Jornal Z Norte
  • 15/05/2026 às 15:19
  • Atualizado 15/05/2026 às 15:19
Compartilhe:

Tempo de leitura: 00:00

Entre treinamentos operacionais, policiamento ostensivo e preparação para grandes eventos, a Cavalaria do 14º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), em Sorocaba, também desenvolve um trabalho voltado à inclusão e ao acolhimento. No local, cavalos utilizados pela Polícia Militar ajudam crianças em sessões de equoterapia, método terapêutico que utiliza o animal para estimular o desenvolvimento físico, emocional e social dos praticantes.

O projeto social funciona em parceria com a Associação de Socorro Imediato a Pessoas com Câncer e Autismo (ASIPECA), responsável pela triagem e encaminhamento das crianças. Segundo o documento oficial do programa, a iniciativa busca promover “qualidade de vida, inclusão social e bem-estar” às pessoas com necessidades especiais da região de Sorocaba. 

A cavalaria sediada em Sorocaba conta atualmente com 14 cavalos. Destes, quatro são utilizados também nas sessões de equoterapia e passam por treinamentos específicos para o atendimento terapêutico, além de preparação voltada ao policiamento ostensivo. Atualmente, o projeto atende 12 crianças.

 

Movimento do cavalo auxilia desenvolvimento das crianças

Durante as sessões, o cavalo é considerado peça central do tratamento. De acordo com a Cabo Rios, fisioterapeuta e enfermeira veterinária, o simples contato com o animal já provoca mudanças perceptíveis no comportamento das crianças.

“Tem criança que chega aqui e não fala nada. Quando sobe no cavalo, começa a verbalizar mais”, relatou Rios.

Além da fala e da interação social, a equoterapia também auxilia no equilíbrio, postura, coordenação motora e autoestima. Isso acontece porque o movimento do cavalo reproduz estímulos semelhantes à marcha humana, fazendo com que o corpo da criança responda aos movimentos mesmo sem caminhar sozinha.

Outro ponto destacado pelos profissionais é o impacto emocional do contato com os animais. Segundo eles, muitas crianças chegam agitadas ou inseguras e, ao longo das sessões, passam a demonstrar mais tranquilidade e confiança.

Um dos casos lembrados pela equipe foi o de um menino com seletividade alimentar. Durante as terapias, ele passou a interagir com o cavalo durante a alimentação do animal e, gradualmente, começou a aceitar melhor novos alimentos.

 

Trabalho envolve equipe multidisciplinar

As sessões são realizadas por uma equipe formada por policiais militares e profissionais da área da saúde. Cada atendimento conta com um policial condutor do cavalo, um policial auxiliar lateral e um terapeuta da ASIPECA, que pode ser psicólogo, fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, dependendo da necessidade da criança.

O projeto prevê acompanhamento contínuo dos participantes, adaptação gradual ao cavalo e exercícios terapêuticos montados e em solo. 

Antes das atividades, os cavalos passam por treinamento específico de dessensibilização com materiais utilizados durante as sessões, como bolas, cones, bambolês e bandeiras. O objetivo é garantir segurança e tranquilidade durante o atendimento.

Os animais também possuem rotina rigorosa de alimentação, banho, descanso e acompanhamento veterinário diário. Caso apresentem qualquer ferimento ou desconforto, são afastados tanto da terapia quanto do policiamento.

 

Estrutura foi preparada durante anos

Embora a equoterapia já tenha existido anteriormente na Cavalaria, o projeto passou um período desativado e foi retomado oficialmente no ano passado.

Segundo os policiais, a preparação da estrutura levou cerca de três anos. O espaço passou por adaptações, incluindo melhorias no picadeiro e construção de áreas de apoio para receber praticantes e familiares.

O projeto destaca que a cobertura do picadeiro foi viabilizada por recursos destinados pelo deputado federal Guilherme Derrite. 

A cobertura permite que as atividades ocorram mesmo em dias de chuva ou calor intenso, oferecendo mais conforto e segurança para crianças, famílias e profissionais.

 

Cavalaria está em Sorocaba desde 1947

Além da atuação social, o destacamento mantém as funções tradicionais da Cavalaria da Polícia Militar. Os cavalos são utilizados no policiamento ostensivo, em patrulhamentos urbanos, eventos culturais, jogos e ações de controle de multidões.

De acordo com o 1º Sargento PM Cerqueira, a cavalaria está em Sorocaba há cerca de 80 anos e só recentemente passou a integrar o 14º Baep.

“Às vezes por algum descuido, de alguma coisa lá atrás, ela [cavalaria] acabou não sendo vista, então a gente tem esse propósito através da equoterapia, através do policiamento, através dos eventos, fazer com que seja vista”, declarou.  

Para a equipe, o cavalo também se tornou uma ferramenta de aproximação entre a polícia e a população.

“As crianças chegam perto do cavalo naturalmente. Às vezes elas têm receio da viatura, mas do cavalo não”, comentou a Cabo PM Rios.

Os próprios animais usados na equoterapia recebem nomes mais acessíveis ao público infantil, como Fênix, Aurora e Cacau, facilitando o vínculo com as crianças.

 

Quem pode participar

De acordo com o projeto, crianças da comunidade interessadas em participar devem procurar diretamente a ASIPECA, responsável pela avaliação técnica e triagem dos casos. Familiares de policiais militares devem preencher uma ficha de interesse no setor de comunicação da cavalaria, localizada no 14º BAEP, e também podem ser encaminhados para avaliação da associação.

A participação depende de indicação profissional e análise das condições adequadas para o tratamento.