Polícia de SP prende 18 pessoas em golpe de financiamento de veículos que gerou R$ 129 milhões
Operação desarticulou esquema que utilizava 'laranjas' para firmar contratos, negociar dívidas e reinserir os carros no mercado no interior de São Paulo
Imagem por Agência SP e Texto por Agência SP - 31/03/2026 às 14:52
- Atualizado 31/03/2026 às 14:52
Uma operação realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (30), no interior de São Paulo, prendeu 18 pessoas por envolvimento em um esquema de fraudes em financiamentos de veículos que chegou a movimentar mais de R$ 129 milhões em cinco anos.
A ação ocorreu nos municípios de Catanduva, São José do Rio Preto, Severínia, Paraíso e Pindorama e, além das prisões, apreendeu 56 veículos, 45 celulares, 198 cartões bancários, um revólver e 300 munições, além de joias e relógios.
De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Catanduva, responsável pelas investigações, a quadrilha utilizava “laranjas” para formalizar contratos de financiamento de veículos de alto valor, já com a intenção de não quitar as dívidas.
Com o carro bloqueado, os investigados negociavam os débitos com instituições financeiras mediante propostas com valores reduzidos. Após a regularização da pendência, os veículos eram reinseridos no mercado e vendidos pelo valor original, gerando elevado lucro ilícito e prejuízo expressivo ao sistema financeiro.
Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2025, foram identificados 278 veículos envolvidos no esquema criminoso, avaliados em R$ 22,6 milhões.
Com base nas investigações, os policiais cumpriram 21 mandados de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão na operação batizada de Axis. Também foi solicitado o bloqueio de bens e contas bancárias em nome dos investigados. Três suspeitos seguem foragidos.
Divisão de tarefas
As apurações indicaram que o esquema contava com múltiplos núcleos interdependentes, com clara divisão de tarefas. A liderança exercia o controle estratégico e jurídico da operação, enquanto os demais grupos eram responsáveis pela gestão, ocultação e circulação dos veículos, dificultando o cumprimento das ordens judiciais.
Paralelamente, havia um núcleo especializado na falsificação de documentos financeiros, responsável por viabilizar a aprovação fraudulenta dos financiamentos, além de uma estrutura empresarial utilizada para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
As diligências realizadas por meio de interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário evidenciaram a atuação contínua e profissional da quadrilha. Também foi identificado o uso de contas de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores e a existência de grupos segmentados de comunicação para coordenar as ações.
Os 18 presos foram encaminhados à delegacia, onde permaneceram à disposição da Justiça. Eles responderão por crimes de associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.