8 de Março reforça conquistas e desafios das mulheres
Imagem por Alyne Troiano / Jornal Z Norte e Texto por Alyne Troiano / Jornal Z Norte - 06/03/2026 às 16:02
- Atualizado 06/03/2026 às 16:02
O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, nasceu da mobilização de operárias que, no início do século XX, organizaram greves para reivindicar melhores condições de trabalho, redução da jornada e igualdade de direitos. As manifestações, protagonizadas principalmente por mulheres trabalhadoras, ecoaram pelo mundo e inspiraram outras a também exigirem reconhecimento e justiça.
Mais do que um marco histórico, a data simboliza o efeito multiplicador da inspiração feminina: mulheres que, ao se posicionarem, abriram caminhos para tantas outras.
A artista Rita Taraborelli, de 42 anos, autora e ilustradora formada em gastronomia, carrega essa herança no próprio percurso. Filha de Raquel Taraborelli, artista plástica que se destacou como pintora impressionista, Rita cresceu em um ambiente onde a arte era mais do que profissão, era parte da identidade familiar.
“Cresci numa casa em que a arte era parte de tudo. O estudo e o sustento estavam relacionados à mãe, ao convívio social. Muitas pessoas, a grande maioria mulheres, frequentavam minha casa para aulas. Eu cresci assim. A arte não foi uma opção, ela fez parte da minha criação”, relembra.
Essa influência ultrapassou o ambiente doméstico e ganhou as ruas de Sorocaba. Rita é a artista responsável por um mural criado dentro do projeto de revitalização da rua Paula Souza. A obra homenageia mulheres importantes na história da cidade e foi pensada a partir da imagem de três vagões de trem, cada um com uma proposta diferente.
“Quando olhei para o muro, quis fazer vagões e dar vida a personagens. O projeto teve três partes: um vagão com passageiros, um vagão restaurante e, no último, sugeri mulheres que fizeram história em Sorocaba. Fiz uma pesquisa com base em dados da internet e no livro ‘Sorocabanas – a mulher na história de Sorocaba’, do autor sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro, que inclusive inclui minha mãe na obra.”
A homenagem transforma o espaço público em local de reconhecimento e reafirma o papel feminino na construção da história sorocabana.
Além de autora e ilustradora, Rita também atuava na área de culinária, sua formação acadêmica, mas precisou interromper essa atividade após o nascimento do segundo filho. “Eu fazia trabalhos com culinária também, porém desde que tive meu segundo filho, em 2024, nunca mais atuei cozinhando por conta da maternidade solo”, afirma. A nova rotina exigiu mudanças de prioridades e adaptações profissionais.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 11 milhões de brasileiras são mães solo, representando mais da metade das mulheres com filhos no país, uma realidade que evidencia os desafios enfrentados diariamente por quem precisa conciliar sustento, cuidado e carreira.
Os desafios enfrentados pelas mulheres, no entanto, não se limitam à sobrecarga da maternidade e à conciliação entre trabalho e cuidado. Entre as questões mais graves está a violência doméstica, que ainda representa uma das faces mais cruéis da desigualdade de gênero. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que milhares de mulheres registram ocorrências de violência todos os anos no Brasil, e o país ainda convive com altos índices de feminicídio. Em muitos casos, o silêncio é consequência do medo, da dependência financeira e da ausência de uma rede de apoio estruturada.
À frente desse enfrentamento está a Major Luiza Geraldi, comandante interina do 40º Batalhão da Polícia Militar, com atuação ativa no combate à violência doméstica. Ela começou a atuar na área em 2018 e afirma que a experiência transformou sua forma de enxergar o problema. “Entendi que qualquer mulher pode ser vítima, independentemente de estudo, profissão ou posição social”, destaca.
Segundo a major, um dos maiores desafios é a solidão enfrentada por quem sofre violência. “Muitas não permanecem na violência por fraqueza, mas porque se sentem absolutamente sozinhas.” Para ela, o acolhimento é determinante no rompimento do ciclo. “Às vezes, o que transforma uma história é uma escuta atenta, uma orientação segura, uma palavra firme no momento certo.”
No Dia Internacional das Mulheres, a comandante reforça a importância da rede de apoio e da presença feminina em espaços de liderança. “Cada mulher que permanece, cresce e lidera abre caminho para as próximas. As primeiras não são únicas, são precursoras.” E deixa um recado às que enfrentam ou já enfrentaram violência: “Romper o ciclo exige coragem. A mulher que dá esse passo é guerreira e plenamente capaz de reconstruir sua vida com autonomia e dignidade.”