Acidente de trânsito provocado por motoristas que “furam” o sinal vermelho aumenta 84% em Sorocaba

Acidente de trânsito provocado por motoristas que “furam” o sinal vermelho aumenta 84% em Sorocaba Imagem por Jornal Zona Norte e Texto por Jornal Zona Norte
  • 29/07/2016 às 15:11
  • Atualizado 12/09/2022 às 15:11
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Os acidentes de trânsito causados por motoristas que passam o semáforo na fase em que está vermelho aumentou 84% do primeiro quadrimestre de 2015 para o mesmo período deste ano. A informação é da Urbes, autarquia responsável pelo trânsito e transporte da cidade.

Conforme os dados, de janeiro a junho de 2015 foram registrados 25 acidentes nessa categoria na cidade. Em contrapartida, no mesmo período deste ano foram 46, o que representa o aumento de 84%. Conforme a Urbes, os números são obtidos via Boletins de Ocorrência da Polícia Militar e através do IML (Instituto Médico Legal). Nos relatos desses documentos há a informação que pelo menos um dos envolvidos ‘furou’ o sinal vermelho. 

 

Multas

Já com relação às multas de trânsito, ainda conforme os números da Urbes, houve uma pequena redução do número de multas emitidas: de 4.032 no primeiro quadrimestre do ano passado para 3.834 no mesmo período deste ano.

No contexto das multas é importante ressaltar que os números de multas emitidas por agentes com a infração relacionada ao fato de avançar o sinal vermelho, houve a aplicação de um total de 2.814 multas de janeiro a abril deste ano. Já no ano passado, no mesmo período, 2.408. A redução fica por conta das multas emitidas por fiscalização eletrônica. No mesmo período analisado foram 1.020 multas em 2016 contra 1.624 deste ano.

No total de 2015, foram aplicadas 13.269 multas de trânsito para quem avança o sinal vermelho em Sorocaba, dos quais, 6.537 infrações foram emitidas por agentes de trânsito e 6.732 infrações por avançar no sinal vermelho emitidas por fiscalização eletrônica.

 

Maior incidência de multa

Ainda conforme os dados da Urbes, o local onde mais acontecem infrações devidos aos motoristas imprudentes é a Avenida Itavuvu, isso quando se trata de multas aplicadas por agente de trânsito. Foram 289 no ano passado. A Dom Aguirre, com o segundo maior registro feito por agente registrou 137.

Já quando o registro das autuações por desrespeito ao semáforo vermelho se refere a fiscalização eletrônica, a maior incidência ocorre no cruzamento da Rua Souza Pereira com a Rua Dr. Álvaro Soares. Foram 475 multas no ano passado. A Avenida Ipanema registrou 138 casos.

 

Semáforo aberto

Um acidente provocado por imprudência do motorista que furou o semáforo vermelho quase provocou uma tragédia na família do advogado Luciano Delgado. O caso ocorreu em junho com a esposa Marília Gomes Pereira Pinto.

Conforme Delgado, Marília arrancou o veículo que conduzia na Rua Barão de Piratininga quando foi atingida por outro veículo que transitava pela Washington Luiz. Com ela, estava os dois filhos, de cinco e de três anos. “O semáforo estava aberto para ela, tanto que o primeiro carro andou”, afirma. O veículo ficou muito avariado, mas por sorte ninguém se feriu. “Eles ficaram muito abalados, especialmente nos primeiros dias”, conta o advogado. “Seguimos as leis de trânsito. As crianças sempre usam os equipamentos determinados, por isso que não se feriram. O problema, muitas vezes, não é com a gente, mas com quem está do outro lado da rua”, desabafa.

Conforme ele, o motorista fugiu do local sem fazer o exame toxicológico, mesmo aparentando embriaguez. Um boletim de ocorrência foi registrado e caso segue sendo investigado.

 

Cultura da pressa

Renato Campestrini, responsável pela área de desenvolvimento e pesquisa do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), afirma que o que deve ser combatida é a cultura da pressa, um grande problema dos brasileiros nas grandes cidades. “Não é obrigatório que o motorista pare quando o semáforo está no amarelo. Mas o ideal, até como uma postura de segurança, é que o motorista reduza a velocidade e pare. A postura sempre deve ser de prevenção, da percepção do risco”, ressalta. “Não podemos ter a cultura da pressa, mas a cultura da prevenção. A regra é reduzir a velocidade assim que se aproxima um semáforo”, termina.

O especialista também fala sobre os caminhos para se amenizar o problema. “Primeiro momento quando se identifica um aumento como esse, é preciso desenvolver alguma ação educativa mostrando os riscos que isso representa para a sociedade, não só com relação a infração que o condutor comete, mas também e principalmente o risco de causar a morte de um pedestre, de um ciclista ou mesmo o fato do próprio condutor se envolver em um acidente que pode ser fatal. A segunda frente, caso não se veja resultado é questão da fiscalização e da punição mais efetiva”, completa.

O especialista também explanou sobre uma situação que tem se tornado comum na cidade que é o fato do condutor abandonar o local sem prestar socorro. “Em alguns dos casos o condutor pode não ser habitado ou o  veículo pode estar de alguma forma sem condições de trafegar. O segundo caso pode ser o medo de represálias pelo tipo de comoção que essa situação pode causar”, explica. “O Ideal e o código de trânsito prevê que o motorista fique no local. É importante também contar com o apoio da população para anotar as características do veículo e avisar as autoridades”, termina em tom de alerta.