Soluções criadas por empresas residentes no PTS garantem fluidez do desfile de escola de samba de SP

Soluções criadas por empresas residentes no PTS garantem fluidez do desfile de escola de samba de SP Imagem por Secom/PMS e Texto por Secom/PMS
  • 04/03/2026 às 17:44
  • Atualizado 04/03/2026 às 17:44
Compartilhe:

Tempo de leitura: 00:00

Além de criatividade e irreverência, os desfiles das escolas de samba no Carnaval vêm incorporando cada vez mais tecnologia para reduzir riscos de problemas e garantir o sucesso das apresentações. Com esse objetivo, as empresas Mekra e O.P.E.R.A., residentes no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), desenvolveram câmeras de orientação para carros alegóricos e um software de gestão operacional para a escola de samba Tom Maior, de São Paulo.

Segundo o presidente e mestre de bateria da agremiação, Carlos Alberto Dias Alves, conhecido como Mestre Carlão, neste ano, a escola levou ao Sambódromo do Anhembi cinco alegorias e um carro na comissão de frente ainda maiores e mais pesados do que em desfiles anteriores. Algumas estruturas ultrapassavam 40 metros, com oito toneladas e 15 metros de altura.

Uma das principais preocupações era conseguir transportá-los na avenida dentro do tempo regulamentar de desfile. Por isso, a escola contou com o apoio da Mekra, especializada em sistemas de visão e radar veicular, e da O.P.E.R.A, desenvolvedora de soluções de software.

Em parceria, as empresas criaram câmeras específicas para cada alegoria, considerando as dimensões e dinâmica de deslocamento. O processo levou cerca de nove meses, envolvendo estudos técnicos, definição da arquitetura do sistema, testes de posicionamento e validação em ambiente real.

Os equipamentos enviavam, em tempo real, imagens e dados do trajeto dos veículos para operadores e gestores da escola. A solução substituiu os métodos tradicionais de comunicação verbal e gestual por um modelo eletrônico mais ágil e preciso, tornando a condução dos veículos mais segura e eficiente.

De acordo com o diretor-geral da Mekra, Antonio Carlos da Fonseca, a tecnologia foi projetada para apoiar motoristas, que possuem visão limitada a partir de suas posições, pessoas encarregadas de empurrar e ajudar na movimentação das estruturas, batedores, responsáveis por monitorar o entorno, além da equipe de gestão da escola.

“O nosso objetivo foi estruturar um sistema completo de apoio à decisão. O nosso sistema entregou visão lateral e traseira em tempo real, eliminação de áreas cegas críticas, maior controle de manobra e redução de risco operacional. Nosso diferencial é claro: não entregamos apenas câmeras, entregamos informação estruturada para tomada de decisão em todos os níveis da operação”, explica ele.

Conforme Fonseca, os principais desafios para alcançar esses objetivos foram trabalhar com estruturas de dimensões não convencionais, integrar tecnologia sem interferir na estética dos carros, garantir estabilidade em ambiente vibratório, além de estruturar fluxo eficiente de informação entre operação e gestão. Após um trabalho minucioso, chegou-se a uma solução com cobertura visual adequada, estabilidade de imagem e confiabilidade operacional.

Outros sistemas

Com o mesmo objetivo de garantir a fluidez do desfile, as alegorias receberam luzes na parte traseira para orientar os empurradores. Controlado por integrantes da agremiação, o sistema funcionava por cores, como um semáforo: verde indicava continuidade em ritmo normal; amarelo, redução de velocidade; e vermelho, parada.

Além disso, a O.P.E.R.A. criou um software que monitora dispositivos de GPS instalados em alas estratégicas, permitindo acompanhar o fluxo da apresentação em tempo real. O recurso substituiu o controle manual, com o acionamento de cronômetros logo após a abertura dos portões, por rádio e gestual. “Nossa inteligência de software calculava as distâncias entre as alas e os carros alegóricos, além de identificar suas posições na pista, possibilitando que a direção gerenciasse a escola com precisão, tempo de resposta rápido e assertividade”, detalha o cofundador Kleber de Jesus Dias.

A principal missão, segundo ele, era assegurar a estabilidade da comunicação de dados (5G) e do sinal de GPS em um ambiente com mais de 30 mil pessoas, onde o congestionamento das redes de internet é um risco constante. Para isso, a empresa adotou redundância de operadoras e um sistema manual de contingência realizado por três integrantes posicionados estrategicamente para acompanhar a entrada das alas, o recuo da bateria e a saída dos componentes. O processo para se chegar a uma tecnologia eficiente demorou cerca de dois meses, com várias etapas de testes em campo.

Todas essas soluções cumpriram os seus papéis, principalmente ao agilizar a retomada da movimentação das alegorias após as paradas obrigatórias, evitando atrasos que poderiam gerar perda de pontos no quesito Evolução. “Ganhamos muito tempo, porque uma sinalização em uma alegoria de 40 metros demora cinco segundos para ter uma reação com a comunicação verbal e gestual. Já com a comunicação eletrônica, foi imediata”, informa mestre Carlão. “A parceria trouxe melhores condições técnicas para a nossa escola”.

O resultado também foi celebrado pelas equipes das empresas envolvidas, pois, segundo os idealizadores, os dispositivos contribuíram para a conquista da nota máxima no quesito Evolução. “Aplicar tecnologia de segurança e gestão operacional em um dos maiores símbolos culturais do Brasil foi motivo de orgulho. Assim como protegemos vidas nas rodovias com informação, na avenida contribuímos para a segurança, precisão e excelência operacional. Tecnologia, gestão e tradição caminharam juntas”, destaca Antonio Fonseca.

“Foi uma experiência indescritível e profundamente emocionante para todos nós. Nós não apenas programamos o sistema, mas sim participamos e fomos uma parte importante do todo”, acrescenta Kleber Dias.

Para o presidente do Parque Tecnológico, Nelson Cancellara, a participação de empresas do ecossistema em um evento da dimensão do Carnaval demonstra como a inovação pode estar presente em diferentes setores da sociedade, inclusive em manifestações culturais tão representativas do País. “Quando soluções tecnológicas contribuem para a organização, a segurança e a eficiência de um desfile, mostramos, na prática, que o conhecimento desenvolvido dentro do ecossistema tem aplicação real e impacto.”

Sobre o PTS

O Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) é um ambiente de inovação que visa fomentar o desenvolvimento de empresas e projetos tecnológicos na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Tem como objetivos principais promover tecnologias, bem como contribuir com o desenvolvimento social e econômico da RMS. Para tanto, cria um ambiente propício para a geração de empregos, o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade de vida da população.

O PTS atua nas áreas automobilística, de automação industrial, biociências, educação e pesquisa, energias renováveis e Tecnologia da Informação (TIC). Com aproximadamente 1,8 milhão de metros quadrados de área total, possui 55 empresas instaladas e mais de 150 em seu ecossistema. Também trabalha em parceria com 19 instituições de ensino e apoia 55 startups.