Ônibus Sensorial e Linha Rosa completam dois meses de operação contínua

Ônibus Sensorial e Linha Rosa completam dois meses de operação contínua Imagem por Secom/PMS e Texto por Secom/PMS
  • 23/10/2026 às 14:59
  • Atualizado 23/10/2026 às 14:59
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A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Urbes, completou nesta semana dois meses de operação da chamada Linha Rosa, voltada exclusivamente ao público feminino, e do Ônibus Sensorial, para pessoas com deficiência, sobretudo aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e seus acompanhantes. Ambos os serviços contam com um ônibus cada, com layouts exclusivos, operando na linha 100 – Expresso, entre os Terminais Santo Antônio e São Paulo, nos horários de pico da manhã e da tarde.

Os resultados comprovam o sucesso da iniciativa. De 19 de agosto a 19 de outubro de 2026, o Ônibus Rosa transportou 29.088 mulheres, em 1.348 viagens. Já o Ônibus Sensorial transportou 29.242 passageiros, nem todos portadores de TEA ou outras necessidades especiais, visto ser uma operação de uso livre, em 1.348 viagens.

“Esses números refletem a importância desse olhar focado nas demandas mais específicas da sociedade. O transporte público deve cada vez mais um serviço que colabore com a qualidade de vida do cidadão, oferecendo mais segurança, agilidade e conforto, visando reduzir a dependência do transporte individual”, aponta o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga.

Segundo a Urbes, o objetivo é promover mais conforto, segurança, acolhimento, respeito e garantia de respeito no transporte público a esses dois públicos. As linhas funcionam diariamente, das 6h30 às 8h30 e das 17h às 19h, e foram implementadas em parceria com as secretarias da Mulher (Semul) e da Inclusão e Transtorno do Espectro Autista (Sintea). A cada hora, são cerca de seis viagens por ônibus.

Conduzido sempre por uma motorista, e de uso exclusivo por mulheres, o veículo da Linha Rosa tem layout externo com sinalização temática na cor rosa e está equipado com sistema de monitoramento por câmera. “Trata-se de uma parceria entre setores da Administração Municipal, pois o serviço é periodicamente acompanhando por técnicos da Secretaria da Mulher, que disponibilizam orientações sobre saúde, prevenção e beleza, contribuindo para um ambiente mais acolhedor e seguro no transporte”, comenta o diretor-presidente da Urbes, Adriano Brasil.

“Para mim, conduzir o Ônibus Rosa é um orgulho, de forma especial, pois já passei por muitas situações desagradáveis. É um avanço, pois antigamente as mulheres não tinham direito a nada”, diz Jaqueline Marin Müller, que atua como motorista nessa linha.

“Usei o serviço algumas vezes e achei ótimo”, diz a passageira Rafaeli. “Há muita gente sem noção usando o transporte público e muitos homens que não percebem o valor dessa conquista. Alguns até questionam: Por que não tem ônibus só para homens? Não percebem que as mulheres têm um lugar importante no mundo, que merecem uma atenção, um cuidado”, complementou ao embarcar.

Já o Ônibus Sensorial é um veículo elétrico, justamente para não haver ruídos e dar mais conforto e bem-estar às pessoas com TEA. Ele é adaptado e oferece recursos como painel sensorial, tapetes e abafadores, que auxiliam na organização, regulação e conforto. Inclusive, no painel do fundo há adesivo com QR Code para acesso à cartilha sobre TEA, elaborada pela equipe da Sintea.

“Tenho um filho autista e sei as peculiaridades de me deslocar com ele no transporte público. Os barulhos o incomodam e, em algumas vezes, sei que as reações dele não agradam algumas pessoas. Ter um veículo adaptado para essa realidade é um avanço, pois dá mais tranquilidade ao portador de TEA e ajuda a conscientizar a população em geral”, diz Rinaldo Novaes, que também é funcionário da Urbes.

A iniciativa tem o apoio da Associação de Socorro Imediato a pessoas com Câncer e Autismo (Asipeca), que pede ao público que esses espaços sejam preservados e respeitados para uso de quem realmente necessita deles. A dica é evitar julgamentos, comentários ou olhares diante de comportamentos diferentes, uma vez que a inclusão não é apenas oferecer um espaço adaptado, mas construir uma sociedade que respeita, acolhe e convive com as diferenças.