O que é a “sarna humana”? Doença de pele tem preocupado pais de alunos do CEI 80 no parque Vitória Régia
Médico explica os meios de contágio, sintomas e formas de prevenção.
Imagem por Divulgação e Texto por Alyne Troiano / Jornal Z Norte - 25/05/2026 às 12:31
- Atualizado 25/05/2026 às 12:31
O médico Clínico Geral e ex-secretário de Saúde de Sorocaba, Francisco Antônio, explicou que a escabiose (sarna humana) é uma doença de pele contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei e que o principal sintoma é a coceira intensa, geralmente pior durante a noite. Segundo ele, a transmissão ocorre principalmente por contato direto e prolongado entre as pessoas, sendo mais comum em ambientes com convivência próxima, como creches. “O ácaro passa de um corpo para outro principalmente pelo contato direto e prolongado pele a pele. Um toque rápido normalmente não transmite a doença”, explicou.
O médico ressaltou ainda que, apesar de contagiosa, a escabiose não exige isolamento total dos pacientes e que o risco de transmissão diminui rapidamente após o início do tratamento adequado. “O paciente deixa de transmitir a doença cerca de 24 a 48 horas após iniciar o tratamento com os medicamentos, por isso normalmente não há necessidade de afastamento prolongado”, afirmou.
Sobre a higienização dos ambientes, Doutor Fernando explicou que o ácaro consegue sobreviver fora do corpo humano por até 72 horas. Por isso, roupas de cama, toalhas e vestimentas utilizadas recentemente devem ser lavadas com água quente, além do uso de secadora ou ferro quente. Ele também recomenda a aspiração de colchões, sofás e tapetes, além da limpeza de superfícies com água sanitária ou desinfetantes. “O objetivo da higienização é evitar reinfestações e eliminar possíveis ácaros presentes em objetos e ambientes”, completou
Relembre o caso
A confirmação de casos de sarna humana no começo do mês de maio, no CEI 80 no parque Vitória Régia, tem gerado preocupação entre pais de alunos da unidade. Segundo informações da Prefeitura de Sorocaba, quatro casos haviam sido confirmados até o momento, envolvendo um aluno, dois auxiliares e uma professora.
De acordo com a administração municipal, a Vigilância Epidemiológica foi acionada e orientou a escola a preencher fichas de notificação e encaminhar os atestados médicos para acompanhamento da situação. Ainda segundo a prefeitura, o cenário estava sob monitoramento contínuo e “sob controle”.
Apesar disso, familiares afirmam que os casos começaram a surgir no início de maio e que os pais não foram comunicados oficialmente pela escola no primeiro momento. A mãe de uma aluna e tia de uma criança diagnosticada com a doença, Karina Regina, afirma que soube da situação por meio das redes sociais.
“Esse surto vem desde o dia 7, porém nós pais não fomos informados. Ficamos sabendo através das redes sociais. Quando questionei a escola, disseram que era real e que a Vigilância havia orientado a não alarmar os pais porque seria um caso isolado. Para nós não é um caso isolado”, afirmou.
Segundo ela, os casos deixaram de se concentrar apenas no berçário e já atingiram outras turmas da unidade. Karina relatou que o sobrinho, Nicolas, de 2 anos, recebeu diagnóstico médico após apresentar sintomas identificados pela professora.
“Ontem, quando foi para a escola, a professora mandou encaminhamento para levar ele no médico porque estava com as bolinhas. Minha irmã levou e a médica confirmou”, disse.
O que diz a unidade escolar
Em comunicado enviado às famílias, a direção da escola informou que não há necessidade de suspensão das aulas e que todas as medidas orientadas pela Secretaria da Educação e pela Vigilância Epidemiológica já foram adotadas. A unidade informou que há registros confirmados em uma turma do berçário, um caso no Creche 1 e um caso no Creche 2, além de três funcionários que já retornaram ao trabalho após tratamento.
A escola também afirmou que crianças com suspeita da doença estão sendo encaminhadas para avaliação médica e reforçou a importância do acompanhamento imediato em caso de sintomas.
Mesmo assim, parte dos responsáveis decidiu não enviar mais os filhos para a unidade temporariamente. Os pais cobram uma higienização mais profunda no prédio e defendem o fechamento da escola por alguns dias.
“A gente quer que façam a higienização na escola. Falaram que vão limpar no domingo, mas acreditamos que isso precisa de mais tempo para ser feito corretamente. Hoje mesmo avisaram que segunda-feira haverá uma reunião com orientações de saúde, mas não é isso que queremos”, afirmou Karina.
O que diz a Prefeitura
Procurada novamente pela reportagem, a Prefeitura de Sorocaba por meio da Secretaria de Educação (Sedu) confirmou que recebeu a notificação de mais um caso de escabiose na unidade e reafirmou que protocolos de orientação e prevenção estão sendo adotados imediatamente, sem necessidade, até o momento, de fechamento da escola.
Além disso, a prefeitura informou que no próximo domingo (24) será realizada uma higienização intensificada na unidade. Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Educação (Sedu), informa que recebeu, nesta quinta-feira (21), a notificação de mais um caso de escabiose envolvendo um aluno de dois anos, do CEI-80, no Parque Vitória Régia.
Assim que a unidade foi comunicada, os protocolos de orientação e prevenção foram adotados imediatamente. Neste momento, não há indicação para fechamento da escola e a unidade está sendo devidamente monitorada e orientada pela Vigilância Sanitária, além de receber apoio da UBS da região, que acompanha a situação. Ainda assim, a equipe de limpeza da escola foi reforçada e já está programada uma higienização intensificada da unidade, neste domingo (24).”
O que é a “sarna humana”? Doença de pele tem preocupado pais de alunos do CEI 80 no parque Vitória Régia