Câmara de Sorocaba abre espaço para exposição sobre o antigo Matadouro Municipal
Intitulada “Das Ruínas do Matadouro ao Parque dos Artes”, a mostra reúne amplo material sobre o antigo Matadouro
Imagem por Jornal Zona Norte e Texto por Jornal Zona Norte - 20/08/2026 às 14:02
- Atualizado 20/08/2026 às 14:02
O antigo Matadouro Municipal, construído em 1928 e fechado em 1975, é tema de uma exposição na Câmara Municipal de Sorocaba, intitulada “Das Ruínas do Matadouro ao Parque dos Artes”. Inaugurada na segunda-feira, 17 de agosto, a mostra ficará em cartaz no Saguão Salvadora Lopes até o dia 31 de agosto. A realização é do Movimento Parque das Artes, que luta pela transformação do antigo Matadouro num parque municipal, em parceria com várias outras entidades.
A exposição reúne um material diversificado sobre o Matadouro Municipal, desde plantas arquitetônicas até trabalhos acadêmicos, passando por matérias da imprensa e registros de ações culturais, como oficinas, apresentações musicais, rodas de conversa, feiras artesanais e sessões de cinema ao ar livre, entre outras atividades desenvolvidas pelas entidades que advogam a criação do parque.
O texto de apresentação informa: “A mostra articula polaridades criativas como memória e contemporaneidade, o analógico e o tecnológico, a arte e a técnica, oferecendo ao público um ambiente imagético voltado à construção dos vínculos afetivos que simbolizam não só a construção de uma identidade social urbana sorocabana e paulista, mas, sobretudo, brasileira e latino-americana”.
Histórico do Matadouro – Desde os primórdios de Sorocaba, existiram locais que funcionaram como abatedouro de animais, tocados por particulares e fiscalizados pela Câmara Municipal. Um dos locais mais antigos ficava às margens do córrego Supiriri, conhecido na época como Rio dos Couros. Posteriormente, a cidade teve matadouros em três outros locais, cujos nomes atuais são: Rua Ubaldino do Amaral, região da Estação Paula Souza e Vila Senger.
Na segunda metade do século XIX, por influência de médicos higienistas, os locais de abate de animais no espaço urbano passaram a ser objeto de questionamentos, defendendo-se que fossem implantados fora das cidades. O Matadouro de Sorocaba foi construído em 1928, abatendo, em média, cerca de 500 cabeças de gado por semana e 100 porcos. Foi fechado em 1975 pelo Ministério da Agricultura, por não atender as normas de higiene, segundo reportagens do jornal Cruzeiro do Sul.
“A partir de então, inicia-se um longo, lento e gradual processo de abandono e degradação até chegarmos ao seu estado atual: um espaço vazio e em ruínas, um sítio arqueológico”, afirmam os organizadores da mostra, que a veem como um “repertório atento às urgências da contemporaneidade e profundamente ligada às atuais tradições culturais evocadas: o direito à cidade; o respeito à memória coletiva; a valorização das manifestações populares, a regeneração ecológica, a potência criativa e a afirmação do respeito aos edifícios historicamente invisibilizados”.