Antigo matadouro está em estado de abandono e transformação em centro cultural ficou só no papel
Imagem por Jornal Zona Norte e Texto por Jornal Zona Norte - 24/10/2014 às 13:35
- Atualizado 12/09/2022 às 13:35
A transformação do antigo matadouro da Paes de Linhares em centro cultural para a Zona Norte da cidade não saiu do papel. Quatro anos e meio após o anúncio das transformações, aparentemente, ao menos até agora, nada foi feito para o prédio, que mantém o seu estado de deterioração e abandono.
A promessa era de que após o restauro, o local seria usado, principalmente, para pesquisas e apresentações teatrais. Além do projeto de restauração do prédio, a área externa também seria revitalizada e ganharia nova iluminação. Ainda seria aplicado ao local um projeto de arborização e paisagismo. Tudo porém, ficou no campo da promessa.
Em abril de 2010, o então prefeito Vitor Lippi afirmou que o entorno do prédio seria concebido para abrigar serviços da Ciretran e o Feirão do Automóvel, que naquele ano ainda funcionava no bairro Mangal.
A Prefeitura de Sorocaba chegou a anunciar na época até que havia um processo licitatório visando a restauração completa do prédio histórico, que fica na região do Jardim Brasilândia.
Projeto era estratégico
Na ocasião em que a restauração foi anunciada, o então secretário municipal de cultura, Anderson Santos, em entrevista ao Z Norte, afirmou que a obra era um resgate de um prédio deteriorado e em condições precárias para um novo tempo e que era estratégico para a Zona Norte. “Para nós, o novo complexo de cultura é um presente amplificado com a construção de uma biblioteca especializada em cultura e salas de apresentações. Temos vários Centros de Cultura em Sorocaba, mas nada na Zona Norte, a não ser as nossas parcerias. No nosso ponto de vista, este novo complexo é estratégico”, afirmou.
Questionamentos
A Prefeitura de Sorocaba foi questionada sobre o porquê da obra não ter sido iniciada, sobre o prédio continuar em estado de abandono, se há previsão para manutenção do prédio e do espaço ao redor, se o projeto ainda está em andamento e se há alguma outra destinação para o local.
A municipalidade não respondeu até o fechamento dessa edição.
Histórico
Inaugurado em 1928, foi um dos quatro matadouros de Sorocaba. No ano de 1954, houve os primeiros movimentos do Ministério da Agricultura pelo seu fechamento. Em 1972, no governo de José Crespo Gonzales, foi cogitada a possibilidade de transformar o local em um parque, e o prédio, em museu de história natural. Em 1975 (Julho), houve o fechamento definitivo. Já em 1978, o local se transformou em garagem e oficina da Prefeitura. Em 1984 e 1985, sem sucesso, houve várias discussões na tentativa de reabrir o local como matadouro. No ano de 1989, o local passou a pertencer a Secretaria de Serviços Públicos (Serp). Sete anos depois, veio outra ideia de transformar o local em centro cultural. No mesmo ano, o prédio foi tombado pelo governo municipal. Após dois anos, ainda no governo Renato Amary, volta a ideia de transformar o local em centro de cultura. No ano seguinte acontece a demolição de dois anexos do prédio que não faziam parte do projeto original. Em 2008, a ideia de transformação do local fica para o ano seguinte. Em Abril de 2010 a prefeitura de Sorocaba anuncia, como nas vezes anteriores, a transformação do local em complexo cultural.
Com tijolos aparente, é baseado no estilo arquitetônico inglês e está localizado em uma área de 25 mil metros quadrados.
O prédio está desativado, sendo o terreno usado por muitos anos como uma central operacional do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Atualmente o local serve também para atividades da Guarda Municipal. Em uma área no terreno ao redor do prédio são realizados eventos, como a Festa das Tradições, como o que ocorreu em agosto desse ano. Porém, fora do contexto prometido em 2010.
Deu certo
Praticamente na mesma época em que Sorocaba anunciou as obras em torno do antigo matadouro, Bragança Paulista também fez o mesmo com o prédio que abrigava o matadouro local. A diferença é que na cidade o mesmo recebeu investimentos de R$ 2,3 milhões, foi inaugurado em 2013 e funciona, de fato, como centro de lazer e cultura.