Volta às aulas acende alerta para febre em crianças
Sociedade Brasileira de Pediatria atualiza definição de febre e especialistas do Hospital Amhemed orientam pais sobre sinais de alerta e riscos da automedicação
Imagem por Divulgação e Texto por Divulgação - 04/02/2026 às 12:02
- Atualizado 04/02/2026 às 12:02
Com o retorno das aulas e o aumento da circulação de vírus respiratórios, é comum que crianças apresentem episódios de febre com maior frequência. O sintoma, que muitas vezes assusta pais e responsáveis, nem sempre indica gravidade, mas exige atenção aos sinais de alerta e às novas recomendações médicas.
Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou a definição de febre em crianças. Antes considerada a partir de 37,8 °C, agora a febre passa a ser reconhecida quando a temperatura atinge 37,5 °C ou mais na axila — ou 38 °C quando medida por via oral ou retal, durante três minutos. A mudança busca permitir uma identificação mais precoce e segura do quadro clínico.
De acordo com a pediatra e intensivista pediátrica Júlia Camargo Rosa de Melo, da Pediatria do Hospital Amhemed, a febre, por si só, não é uma doença. “Ela é um mecanismo de defesa do organismo e costuma surgir quando o corpo está reagindo, principalmente a infecções virais ou bacterianas. A nova diretriz ajuda pais e cuidadores a reconhecerem a febre mais cedo e tomarem decisões com mais tranquilidade”, explica.
Apesar disso, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediato. Entre eles estão febres em bebês com menos de três meses; temperaturas acima de 39,5 °C; prostração intensa; manchas na pele; dificuldade para respirar; convulsões ou febre persistente por mais de 72 horas. “A orientação atual é ter menos ‘febrefobia’ e mais atenção ao bem-estar geral da criança. Se ela está ativa, aceita líquidos e responde normalmente, isso é um bom sinal. Na dúvida, o ideal é buscar orientação médica”, reforça a pediatra.
Outro ponto importante é saber diferenciar a febre de origem viral da bacteriana, a médica infectologista Tassiana Rodrigues dos Santos Galvão, também da pediatria do Hospital Amhemed, explica que as infecções virais costumam apresentar sintomas mais gerais, início gradual e febre que varia ao longo do dia, geralmente não muito alta e autolimitada. “Já as infecções bacterianas tendem a surgir de forma mais abrupta, com febre mais alta, persistente e sinais localizados, como infecção urinária, de garganta ou abdominal”, detalha.
A especialista alerta ainda para os riscos da automedicação, especialmente com antibióticos. “O uso sem orientação médica pode causar efeitos colaterais desnecessários e, principalmente, contribuir para o surgimento de bactérias resistentes. Isso torna infecções futuras mais difíceis de tratar e pode levar a internações e terapias mais complexas”, afirma.
Em casa, o acompanhamento da febre deve ir além do termômetro. Segundo a infectologista, é fundamental observar o comportamento da criança, manter hidratação adequada, medir corretamente a temperatura e ficar atento a sinais como sonolência excessiva, irritabilidade intensa, vômitos persistentes ou recusa de líquidos. “Sempre que a febre se mantiver por mais de 48 a 72 horas ou vier acompanhada de sinais de gravidade, o atendimento médico é indispensável”, orienta.
Com informação de qualidade e acompanhamento médico adequado, pais e responsáveis conseguem agir com mais segurança diante da febre infantil, especialmente neste período de volta às aulas, quando a exposição a vírus respiratórios tende a aumentar.
Júlia Camargo Rosa de Melo, da Pediatria do Hospital Amhemed
Tassiana Rodrigues dos Santos Galvão, Médica Infectologista da pediatria do Hospital Amhemed