Homem morre na UPH da Zona Leste e revolta família que teve que aguardar 24 horas para a liberação do corpo

Homem morre na UPH da Zona Leste e revolta família que teve que aguardar 24 horas para a liberação do corpo Imagem por Jornal Zona Norte e Texto por Jornal Zona Norte
  • 08/01/2018 às 19:50
  • Atualizado 12/09/2022 às 19:50
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Antonio Lopes de Almeida, de 57 anos, deu entrada, segundo a família, na Unidade Pré-Hospitalar (UPH), por volta das 23h30 de sábado (6). Cerca de 12 horas depois, às 11h40 de domingo, Antonio sofreu um infarto e faleceu, dentro da unidade, no entanto, o corpo só foi liberado para o velório cerca de 24 horas depois, por volta das 12h desta segunda-feira (8). Antonio era morador do bairro João Romão, na Zona Leste e, ainda segundo a família, muito querido por todos do bairro. “Ele já vinha passando na UPH recentemente. Estava com o coração inchado”, informa Márcia Regina Lopes de Almeida, 42 anos, uma das irmãs do falecido.

Márcia ainda conta que a médica de plantão na unidade solicitou que família registrasse um boletim de ocorrência informando a morte de Antonio, para que ela assinasse o registro de óbito e o corpo pudesse ser liberado. “Nós fomos até à Delegacia de Polícia Participativa (DPP) Norte por volta das 15h, entregamos o boletim, mas ainda assim não liberaram o corpo. Não conseguimos conversar com a médica e o boletim ficou com a assistente social”, conta. Antonio foi levado para o velório Ofebas, para que o corpo pudesse ser preparado e, depois, velado em uma igreja do bairro em que morava. Por causa de demora, a cerimônia durou cerca de duas horas – das 13h30 às 15h30 – e o enterro se deu no Cemitério da Consolação, na Vila Haro. O vereador Wanderley Diogo (PRB), prestou assistência à família durante todo o tempo e chegou até a ir, ainda na madrugada desta segunda-feira, até a sede do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), responsável pela liberação do corpo, para conversar com alguém que fosse responsável pelo serviço, mas não teve sucesso. “É uma falta de respeito tão grande. Estou indo para lá. Não sei se consigo resolver, porque o SVO é do Estado, mas o caso é em Sorocaba”, reclamou o vereador, ainda na noite de domingo.

 

Serviço de Verificação de Óbito

O órgão responsável por liberar corpos que tiveram mortes em unidades de saúde, consideradas indefinidas, é o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), gerido pela Secretaria Estadual de Saúde, que tem como sede o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). A Secretaria foi questionada se recebeu a notificação do óbito e em quanto tempo assinou a liberação e informou que “o corpo do Sr. Antonio Lopes de Almeida chegou ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) às 17h50 do dia 7 de dezembro, após o expediente da equipe técnica, que logo pela manhã do dia 8 iniciou a autópsia. O corpo foi liberado às 11h15 do mesmo dia, dentro do tempo normal de atendimento”. A nota enviada à reportagem informou, ainda, que “o horário de funcionamento do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) é das 8h às 17h, todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados. No entanto, o atendimento para receber os corpos é feito 24 horas por dia”.

 

E a Prefeitura?

A Prefeitura de Sorocaba também foi questionada sobre a motivação da demora na liberação do corpo de Antonio. A Secretaria de Saúde da cidade confirmou que Antonio deu entrada na unidade no sábado, às 23h39, teve o óbito decretado no domingo, às 11h40 e que a liberação do corpo ao SVO deu-se às 17h01 de domingo. Ainda segundo a Prefeitura, o SVO e o Instituto Médico Legal (IML) exigem o registro de Boletim de Ocorrência.