7 em cada 10 brasileiros não fazem exames preventivos
No Dia Nacional da Saúde, especialistas alertam que doenças silenciosas podem ser identificadas antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas
Imagem por Divulgação e Texto por Divulgação - 24/07/2026 às 12:04
- Atualizado 24/07/2026 às 12:04
Mesmo com o acesso cada vez maior à informação sobre prevenção, a maior parte dos brasileiros ainda procura atendimento médico apenas quando algum sintoma aparece. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 70,6% da população não realiza check-ups regularmente, comportamento que dificulta a identificação precoce de doenças que poderiam ser controladas ou até evitadas.
O cenário ganha ainda mais relevância com a aproximação do Dia Nacional da Saúde, celebrado em agosto, data que reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde e da realização de consultas e exames preventivos.
Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças renais, alterações na tireoide e até alguns tipos de câncer costumam evoluir de forma silenciosa durante anos. Em muitos casos, exames laboratoriais simples e consultas periódicas são suficientes para identificar alterações antes que elas provoquem complicações mais graves.
Segundo o coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Amhemed, Dr. Francisco Fernandes, existe uma barreira cultural que faz com que muitas pessoas recorram ao sistema de saúde apenas diante de algum desconforto. "Existe uma cultura de procurar o médico somente quando surgem sintomas, pela praticidade, muitas pessoas utilizam o pronto atendimento como se fosse um consultório, mas o acompanhamento preventivo exige consultas programadas, avaliação individual e realização de exames periódicos. Felizmente, o conceito de check-up vem ganhando espaço e mostrando a importância da prevenção", explica.
"Diabetes, hipertensão, alterações do colesterol e dos triglicerídeos, doenças renais e até problemas cardíacos podem ser identificados antes mesmo de provocarem sintomas. Um hemograma, exames de sangue, eletrocardiograma, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal, por exemplo, podem revelar alterações importantes e permitir um tratamento muito mais eficaz", completa o médico.
Além de aumentar as chances de sucesso dos tratamentos, o acompanhamento periódico diminui o risco de complicações futuras e contribui para uma melhor qualidade de vida. A frequência das avaliações varia conforme a idade, histórico familiar e presença de fatores de risco, mas especialistas orientam que adultos mantenham acompanhamento médico regular, mesmo quando se sentem saudáveis.
Exames específicos para saúde da mulher
Para as mulheres, além dos exames laboratoriais de rotina, o acompanhamento ginecológico é essencial em diferentes fases da vida. A ginecologista do Grupo Amhemed, Dra. Beatriz Mendes, explica que o rastreamento de alguns tipos de cânceres é capaz de identificar alterações antes mesmo do desenvolvimento da doença.
"O Papanicolau permite detectar alterações nas células do colo do útero que podem evoluir para o câncer caso não sejam tratadas. Já a mamografia consegue identificar lesões muito pequenas, muitas vezes antes de serem percebidas pela própria paciente, tornando o tratamento menos agressivo e aumentando significativamente as chances de cura”, destaca a ginecologista.
Além desses exames, ela destaca a importância da investigação do câncer colorretal, por meio de exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes ou colonoscopia, e da densitometria óssea após os 60 anos para prevenção da osteoporose.
A especialista alerta que adiar consultas preventivas pode reduzir as possibilidades de tratamento. "Quando uma alteração é descoberta em estágio avançado, as opções terapêuticas costumam ser mais invasivas e as chances de cura diminuem. Por isso, mesmo sem sintomas, é fundamental manter o acompanhamento em dia."
Homens também precisam de exames de rotina
Entre os homens, a prevenção ainda enfrenta outro desafio, a resistência em procurar o urologista. De acordo com o médico urologista do Grupo Amhemed, Dr. Auro Cezar de Araújo, o câncer de próstata costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que reforça a necessidade da avaliação preventiva.
"A recomendação é iniciar o acompanhamento aos 50 anos para homens sem fatores de risco e aos 45 anos para aqueles que possuem histórico familiar ou outros fatores associados. Em situações específicas, esse acompanhamento pode começar ainda mais cedo”, ressalta o urologista.
O especialista explica que a avaliação é feita por meio da combinação de exames, como PSA e toque retal, podendo incluir exames de imagem quando necessário. "Nenhum exame isoladamente confirma ou descarta a doença. O conjunto das avaliações oferece maior segurança para o diagnóstico”.
Segundo ele, quando o câncer é identificado precocemente, as chances de cura costumam ultrapassar 90%, além de ampliar as possibilidades de tratamentos menos invasivos e preservar a qualidade de vida do paciente.
Quando fazer um check-up?
Embora cada caso deva ser avaliado individualmente pelo médico, a orientação geral é que pessoas entre 18 e 29 anos realizem avaliações a cada um ou dois anos, na ausência de fatores de risco. Entre 30 e 49 anos, o acompanhamento anual passa a ser recomendado. Já após os 50 anos, a realização de consultas e exames anuais, ou em intervalos menores, conforme orientação médica, torna-se ainda mais importante para o monitoramento da saúde e prevenção de doenças.