Vereadora Tatiane Costa (PL) vira “Presidente por um dia” em sessão marcada por discussões e tumulto

Vereadora Tatiane Costa (PL) vira “Presidente por um dia” em sessão marcada por discussões e tumulto Imagem por Divulgação e Texto por Alyne Troiano / Jornal Z Norte
  • 10/03/2026 às 17:21
  • Atualizado 10/03/2026 às 17:21
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A sessão da Câmara Municipal de Sorocaba desta terça-feira (10) foi marcada por protestos no plenário e momentos de tensão durante a condução dos trabalhos pela vereadora Tatiane Costa (PL).

Durante a sessão, munícipes seguravam cartazes com os dizeres “SOS Rio Sorocaba”, em protesto contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba. Os manifestantes também mencionavam as enchentes registradas no último sábado (7) na cidade, que resultou na morte de uma pessoa em Sorocaba.

Vídeos do momento mostram a vereadora discutindo com os manifestantes. Nas imagens, Tatiane afirma que os munícipes não aceitavam que “uma mulher conservadora” assumisse a presidência da Câmara.

Momentos antes, o vereador Vinicius Aith (REPUBLICANOS) também se envolveu em discussão com os manifestantes. Segundo relatos e registros em vídeo, o parlamentar chamou os munícipes de “baderneiros” e afirmou que eles deveriam “ir trabalhar”.

Após o episódio, o munícipe Marcos Latino protocolou um pedido na Comissão de Ética da Câmara contra o vereador. “Não é justo. Nós somos trabalhadores, pagamos impostos. Não pode tratar a população desse jeito”, afirmou.

 

Presidente por um dia!

A condução da sessão por Tatiane Costa ocorreu após o presidente da Câmara, Luiz Santos (REPUBLICANOS), permitir que a parlamentar presidisse os trabalhos em referência às homenagens pelo Dia Internacional da Mulher. 

Em conversa com a nossa equipe, a vereadora relatou como ocorreu o convite e as discussões durante a sessão.

“Ontem o presidente Luiz Santos ligou me convidando para presidir a sessão de hoje, por conta do Dia das Mulheres e claro que eu aceitei essa oportunidade de ser presidente por um dia. E a vereadora Iara Bernardi (PT) e a vereadora Fernanda Garcia (PSOL), não gostaram. Elas dizem que eu não defendo as pautas feministas, e de fato eu não defendo”, disse.

Segundo a vereadora, o debate com outras parlamentares envolve também a discussão sobre o direito ao voto feminino. “Elas sempre querem jogar na questão de voto, que as mulheres conquistaram o voto, mas na história a realidade é outra. O voto foi concedido por homens. Da mesma forma que hoje a presidência de um homem foi concedida para mim, mulher. E eu tenho que agradecer o presidente por essa oportunidade.”

Tatiane afirma que, houve provocações por parte das vereadoras. “Ela começou a me chamar de machista, de misógina, e queria que eu dividisse a minha presidência com elas. Mas no ano passado quem presidiu foi a vereadora Iara Bernardi. E não teve divisão, eu não pedi divisão”, falou a vereadora.

 

Tumulto no Plenário

A vereadora também relacionou o tumulto à presença de manifestantes no plenário. “Tinha um pessoal militante que veio fazer o ativismo por conta da Marginal Direita, e não tinha ali um líder de associação já inscrito, não estava planejado na ordem do dia eles terem a palavra na tribuna. Então eu também não permiti.”

De acordo com Tatiane Costa, a sessão chegou a ser interrompida temporariamente. “Eu tive que parar por 10 minutos a sessão, porque eles não deixavam o vereador João Donizeti (UNIÃO) continuar falando sobre as emendas de um projeto, inclusive um projeto que também estava apensado no projeto da Fernanda, que é contra a violência doméstica.”

A parlamentar também criticou a postura de grupos políticos que, segundo ela, estariam presentes no plenário. “A gente sabe que a esquerda, ela nunca respeita o posicionamento de uma mulher conservadora. Se você é mulher, eles falam que nós mulheres devemos tudo ao movimento feminista, mas eu também já fiz um texto explicando que eu não devo nada ao movimento feminista porque Jesus Cristo, ele veio e já nos salvou, ele deu essa liberdade.”

Ainda segundo a vereadora, “eles falam tanto sobre democracia, mas quem pensa diferente deles eles querem expulsar, mesmo quando é um cargo. Eu sou vereadora eleita. A vereadora Fernanda vive falando que eu tenho que renunciar meu cargo, porque eu não sou feminista, mas jamais vou renunciar o meu cargo, um cargo que me foi concedido por voto de homens e mulheres”, falou a vereadora.

 

Tatiane PRESIDENTE!

Tatiane também comentou a forma como foi tratada por colegas durante a sessão. “Eu sempre falo: não sou uma vereadora representante das mulheres, eu sou uma representante de homens e mulheres, pois fui eleita por homens e mulheres. Eu fui muito respeitada por todos os vereadores, inclusive pelos vereadores de esquerda. O Raul Marcelo (PSOL) e o Izídio (PT) vieram me cumprimentar, me chamaram corretamente, com o português correto, presidente.”

Segundo ela, houve discordância quanto à forma de tratamento no plenário. “E a vereadora Iara não, ela já veio me desrespeitando, querendo provocar, me chamando de presidenta, mas essa é uma palavra totalmente errada. O nosso português é claro, seja homem ou mulher, é presidente.”