Vereador protocola moção de repúdio contra exonerações na Câmara Municipal

Izídio de Brito afirma que demissões de servidores comissionados podem estar sendo usadas como forma de pressão política na disputa pela presidência do Legislativo

Vereador protocola moção de repúdio contra exonerações na Câmara Municipal Imagem por Arquivo Câmara e Texto por Alyne Troiano / Jornal Z Norte
  • 22/10/2026 às 15:50
  • Atualizado 22/10/2026 às 15:50
Compartilhe:

Tempo de leitura: 00:00

O vereador Izídio de Brito (PT) protocolou uma moção de repúdio contra a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Sorocaba pela condução das recentes exonerações de servidores comissionados. Segundo o parlamentar, as demissões podem estar sendo utilizadas como instrumento de pressão política em meio às articulações para a eleição da nova presidência da Casa, marcada para 15 de dezembro.

De acordo com Izídio, três servidores teriam sido exonerados por estarem ligados a vereadores envolvidos na formação de chapas para a disputa. O parlamentar afirma que as demissões estariam relacionadas à articulação de grupos de oposição à chapa do atual presidente da Câmara, Luiz Santos (Republicanos), que, segundo Izídio, é ligado ao prefeito Rodrigo Manga (Sem partido). “Os boatos estão grandes aqui na Câmara Municipal, que o recado foi dado, inclusive, para as pessoas que indicaram esses exonerados. [...] O que chegou é que essas três exonerações foram por conta disso”, afirmou o vereador em entrevista.

Izídio lidera uma chapa formada por integrantes do PT e do PSOL e afirmou que o grupo ainda busca adesões. Outro grupo é liderado pelo vereador Caio (Republicanos). O parlamentar defende que as exonerações sejam suspensas até a realização da eleição da Mesa Diretora.

 

Falta de transparência e insegurança

Um dos pontos questionados por Izídio é a falta de publicação oficial das exonerações. Segundo ele, a situação tem provocado insegurança entre os trabalhadores da Câmara, tanto os diretamente contratados quanto os que atuam de forma indireta. “E o pior de tudo é que essas exonerações foram feitas e não foram publicadas. [...] Tanto os trabalhadores diretos como indiretos estão muito inseguros com essa situação”, declarou.

O vereador defende que os atos sejam cancelados e que os servidores retornem aos postos de trabalho até a eleição. Na avaliação dele, a definição das equipes deve ocorrer somente após o resultado da votação. “Quem ganhar a eleição monta o seu time”, disse Izídio, ao defender que as exonerações não sejam utilizadas para influenciar a disputa pela presidência do Legislativo.

O parlamentar afirmou que estabeleceu prazo até segunda-feira para que a situação seja revista. Caso contrário, pretende acionar o sindicato da categoria e encaminhar denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho. “Na minha opinião, isso fica muito ruim, dá um princípio aí de assédio”, afirmou.

 

Críticas à relação entre Câmara e Prefeitura

Durante a entrevista, Izídio também criticou a relação entre o Legislativo e o Executivo municipal. Para ele, a atual Mesa Diretora tem demonstrado complacência com a Prefeitura, o que, segundo o vereador, prejudica a independência da Câmara.

“Está na hora de a Câmara Municipal ser independente”, declarou.

Entre os episódios citados pelo parlamentar estão o arquivamento de comissões parlamentares de inquérito (CPIs), incluindo a CPI da Saúde, além da falta de convocações de secretários municipais, do não atendimento a convites e da ausência de audiências públicas em votações importantes.

 

Para o vereador, a disputa pela presidência deve ocorrer com igualdade de condições entre as chapas, sem que exonerações de servidores interfiram nas articulações políticas.

A moção de repúdio solicita que a Mesa Diretora reveja as exonerações e garanta condições para que os grupos apresentem suas propostas e disputem a eleição de 15 de dezembro.