Mais de um ano após promessa de solução, mau cheiro persiste no Vitória Régia e Caio Oliveira cobra explicações do Saae
Vereador recebe reclamações semanais dos moradores e questiona andamento de contrato de R$ 15,97 milhões, prazos das obras e ausência de metas específicas para eliminar os odores
Imagem por Divulgação e Texto por Divulgação - 11/08/2026 às 10:42
- Atualizado 11/08/2026 às 10:42
Mais de um ano após o Saae anunciar um investimento de R$ 45 milhões para enfrentar o mau cheiro na região do Parque Vitória Régia, moradores continuam convivendo com o problema. Diante das reclamações recebidas semanalmente, o vereador Caio Oliveira (Republicanos) protocolou, nesta segunda-feira (10), um requerimento cobrando informações detalhadas sobre as intervenções na Estação de Tratamento de Esgoto Sorocaba 2 (ETE-S2).
O problema afeta moradores do Parque Vitória Régia, Parque Vista Bárbara, Jardim Alpes, Jardim Imperatriz e bairros próximos. Segundo Caio, mesmo após o anúncio de medidas emergenciais e de uma obra apresentada como solução definitiva, os relatos de odor forte continuam chegando ao mandato.
“Os moradores ouviram que o mau cheiro seria eliminado e confiaram nas medidas anunciadas. Mais de um ano depois, continuam convivendo com o problema e procurando o nosso gabinete semanalmente. Não basta anunciar milhões em investimentos. Precisamos saber o que realmente foi executado e quando a população terá uma solução”, afirma o vereador.
Em 18 de junho de 2025, Caio participou de uma visita técnica à ETE-S2 acompanhado de moradores e do então diretor-geral do Saae, Glauco Fogaça. Na ocasião, foi anunciado um investimento total de aproximadamente R$ 45 milhões, dividido em duas etapas. A primeira teria custo estimado em R$ 18 milhões e seria destinada a melhorar a estrutura existente, ampliar a capacidade de tratamento e contribuir para a eliminação definitiva do odor.
Também foram anunciadas medidas emergenciais, como aplicação de inibidores de odores diretamente no esgoto bruto, aspersão de produtos neutralizadores nos tanques e aumento da oxigenação por meio dos aeradores.
Posteriormente, o Saae realizou o Pregão Eletrônico nº 29/2025 e assinou, em 1º de dezembro de 2025, o Contrato nº 50/SLC/2025 com o Consórcio Sanembbr, pelo valor de R$ 15,97 milhões. O contrato estabelece prazo de 180 dias para conclusão dos serviços após a emissão da Ordem de Serviço.
Entre as intervenções previstas estão a implantação de uma tecnologia para ampliar emergencialmente a capacidade biológica de tratamento da estação, a instalação de 3.403 metros cúbicos de biomídias, a colocação de cestos de contenção e o monitoramento do novo sistema.
No requerimento, Caio cobra a data da Ordem de Serviço, o percentual de execução física e financeira do contrato, os valores já pagos, as etapas concluídas e o cronograma atualizado. O parlamentar também questiona se o prazo de 180 dias já terminou e se houve atrasos, prorrogações, notificações ou aplicação de penalidades à empresa contratada.
Outro ponto levantado é se a contratação possui metas específicas para reduzir ou eliminar o mau cheiro percebido pelos moradores. Isso porque, conforme os documentos públicos, o objeto principal do contrato está concentrado na ampliação emergencial da capacidade de tratamento da ETE-S2.
“Esse é um ponto que precisa ser esclarecido. A intervenção foi apresentada à população como uma solução para o mau cheiro, mas o contrato fala principalmente em ampliar a capacidade de tratamento. Queremos saber se essa obra realmente possui metas de redução dos odores. Se não possui, o Saae precisa explicar qual intervenção vai resolver o problema e quando ela será realizada”, destaca Caio.
O requerimento ainda cobra explicações sobre a diferença entre os R$ 18 milhões anunciados para a primeira etapa, os R$ 15,97 milhões efetivamente contratados e o investimento total de R$ 45 milhões. O vereador quer saber se os recursos permanecem disponíveis, quais obras ainda serão licitadas e quando as demais etapas serão iniciadas.
Caio também solicita os resultados das medições de compostos responsáveis pelo mau cheiro, especialmente o sulfeto de hidrogênio, além de relatórios sobre o funcionamento dos aeradores, a capacidade atual da estação, eventuais falhas operacionais e as medidas emergenciais que continuam sendo realizadas.
O parlamentar pede ainda um levantamento das reclamações registradas desde junho de 2025 e propõe uma nova visita técnica à ETE-S2, com a participação dos moradores, para que o Saae apresente o estágio das obras, os resultados obtidos e um prazo objetivo para a solução.
“Nosso compromisso é com os moradores. Vamos acompanhar cada etapa e cobrar até que o resultado seja percebido fora da estação, na casa das famílias que convivem com esse problema há tanto tempo. A população não pode continuar recebendo apenas promessas e cronogramas sem uma melhora efetiva”, conclui Caio Oliveira.