Audiência pública na Câmara Municipal de Sorocaba discute os prejuízos do diagnóstico tardio do TDAH

Falta de tratamento pode trazer graves consequências a pessoas neurodivergentes

Audiência pública na Câmara Municipal de Sorocaba discute os prejuízos do diagnóstico tardio do TDAH Imagem por Divulgação e Texto por Divulgação
  • 07/07/2026 às 12:37
  • Atualizado 07/07/2026 às 12:37
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A Câmara de Sorocaba realizou nesta segunda-feira (6) audiência pública com o tema “Crise Silenciosa - o impacto do diagnóstico tardio do TDAH”. Especialistas, representantes do poder público e do terceiro setor falaram sobre os prejuízos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade para o desenvolvimento pessoal, afetivo e profissional quando não identificado precocemente.

O médico Marcos Roberto Feltrin explicou que o TDAH é um distúrbio do neurodesenvolvimento de áreas do cérebro responsáveis pelas funções executivas. Essas funções englobam, por exemplo, organização, memória e controle de estímulos. A prevalência entre a população é de 7,5%, segundo o médico, mas o número tende a ser maior por conta da subnotificação. A falta de diagnóstico pode acarretar em prejuízos como a inadequação social, baixo desempenho processional e propensão a vícios.

A terapeuta Maria Scarket, especialista em transtornos mentais, afirmou que o THAD não tratado pode trazer muito sofrimento porque a pessoa é taxada como preguiçosa, desatenta, incapaz e incompetente. Tudo isso pode levar à depressão e abuso de álcool e drogas lícitas e ilícitas. Por isso, na avaliação dela, é preciso que se eduque a sociedade para lidar com pessoas neurodivergentes, principalmente em ambientes profissionais.

Adriano Garcia, do Instituto TEA+ Neurolink, chamou atenção para a similaridade do TDAH com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo ele, em uma avaliação recente de 50 crianças em idade escolar, todas com suspeita de autismo, 26% tinham, na verdade, TDAH. O resultado deu positivo para os dois transtornos em 25% dos casos. Adriano destacou a importância para o diagnóstico correto para direcionamento adequado do tratamento, seja nas terapias ou na administração de medicamentos.

O diagnóstico, aliás, não é rótulo, conforme explicou o representante da Secretaria de Inclusão e Transtorno do Espectro autista, Marcos Abel. Identificar a neurodivergência e tratá-la adequadamente é o primeiro passo para que a pessoa tenha melhor qualidade de vida.

Michele Cristina, representante da Secretaria Municipal da Saúde, afirmou que o principal instrumento da Prefeitura para identificação do TDAH e outros transtornos é a rede de atenção primária em saúde. Segundo ela, essa ação se insere no cuidado integral com as famílias, com foco inicial no TEA, por ser mais conhecido e ter protocolos bem definidos. Quanto ao TDAH, ela reconheceu que é preciso avançar mais, embora não seja negligenciado.