Alunos de escola municipal do Residencial Carandá são dispensados da aula por falta de papel higiênico; Para os filhos assistirem as aulas, pais tiveram que doar rolos de papel higiênico para a escola

Educação 05 set / 2018 às 09:30

Os pais e alunos da escola municipal Professora Renice Seraphim, no Residencial Carandá, foram surpreendidos na manhã desta quarta-feira (5) por um pedido da direção para que os alunos voltassem para casa. O motivo é a falta de papel higiênico na unidade. Alguns pais levaram rolos para a unidade, a fim que os filhos pudessem assistir as aulas.

Um áudio obtido com exclusividade pelo Jornal Z Norte mostra o momento em que a diretora da unidade informou aos pais, na porta da unidade, que não havia o material de higiene básica para os alunos, o que impediria a frequência escolar.

“Faz uma semana que a gente tá pedindo. Já está todo mundo informado, a empresa terceirizada, a Secretaria de Educação, mas a gente não recebeu (o papel higiênico). Tinha esperança que eles chegassem hoje antes das 7h, mas eles não chegaram. Eles já sabiam que a quantia que a gente tinha era só pra ontem, mas mesmo assim não chegou até agora”, fala a diretora no áudio.

Os pais, sem ter garantia de que as aulas seriam repostas, por falta de orientação superior à diretora, segundo relataram ao Jornal Z Norte, decidiram então levar rolos de papel higiênico para a unidade.

A mãe Zenilda Silva, que tem uma filha de 7 anos que estuda na escola, optou por deixar a criança, levando o papel higiênico. Ela se demonstrou indignada com a situação. “Um absurdo, isso trata de cuidados básicos de higiene. Numa escola nunca deveria faltar. Muito menos alunos perderem aula por falta de papel higiênico. Eu voltei até a escola levar papel pra minha filha”, exclamou a mãe.

Ela relatou que há mais de uma semana a unidade já não dispunha de papel toalha para as crianças enxugarem as mãos. “A diretora disse que há uma semana não tem papel toalha para enxugar as mãos”, explicou Zenilda.

O Jornal Z Norte procurou a Prefeitura de Sorocaba para conseguir informações sobre o caso. A Secretaria de Educação informou que “infelizmente, trata-se de um caso clássico de falta de comunicação. Ao que tudo indica, a direção da escola não fez a primeira solicitação, há cerca de uma semana, ao setor indicado na Secretaria da Educação, preferindo contatar diretamente a empresa terceirizada. O pedido à Sedu chegou apenas na tarde dessa terça-feira (4). O material foi enviado à escola na manhã desta quarta-feira (5) e o caso já está solucionado”.

 

Escola foi notícia por falta de professores

Inaugurada em 2 de maio de 2018 como maior da cidade, a escola municipal Professora Renice Seraphim foi notícia do Jornal Z Norte há menos de duas semanas, pela falta de professores fixos na unidade. Cerca de 20 salas de aula do Ensino Fundamental são atendidas apenas por professores eventuais, com substituição a cada 15 dias, o que tem causado apreensão nos pais.

A reclamação dos pais se deve pela falta de vínculo entre os alunos e os educadores, no caso professores eventuais. Uma mãe, que preferiu não se identificar, informou ao Jornal Z Norte que a situação só não é pior porque a direção da unidade pediu à Secretaria de Educação a fixação dos eventuais por 15 dias. A lei que rege a função de professor eventual, a 11.349/2016, determina que este tipo de profissional não pode “atuar por período superior a 15 (quinze) dias consecutivos ou intercalados dentro do mês, com jornada diária nunca superior a 6 (seis) horas aula”. Por este motivo, os pais tem cobrado a presença de professores efetivos na unidade.

“Isso desestrutura totalmente a confiança das nossas crianças. A criança precisa de confiança nos professores, ainda mais numa comunidade carente como a nossa. A professora pega a classe sem conhecer os alunos, seus problemas, as dificuldades familiares. É um desestímulo à educação isso”, afirmou a mãe, que tem a filha estudando na 5ª série.

O Jornal Z Norte questionou a Prefeitura de Sorocaba sobre a questão. De acordo com a Secretaria de Comunicação e Eventos, os professores eventuais são uma medida garantida por lei para atender os alunos e dar a eles o devido acesso a todo o conteúdo pedagógico previsto.

De acordo com a secretaria de Educação, os professores eventuais, previstos na lei, são profissionais capacitados e fazem o seu trabalho em pleno e total acordo com as diretrizes da Secretaria da Educação.

Em abril, a promotora da Infância de Juventude de Sorocaba, Cristina Palma, recomendou que a Prefeitura de Sorocaba fizesse a contratação imediata de 151 profissionais para cargos vagos na Secretaria da Educação (Sedu). Segundo a promotora, o objetivo seria adequar a proporção entre o mínimo de cargos de funcionários existentes na Sedu e o número de alunos matriculados na rede municipal de ensino.

O levantamento feito pelo Ministério Público, informava que a Prefeitura deveria contratar 84 novos professores, 36 auxiliares de educação, 13 inspetores de alunos, além de profissionais de suporte pedagógico. O levantamento ainda não levava em conta a unidade do Carandá.

Segundo a Prefeitura de Sorocaba, a Secretaria da Educação tem estudado medidas para melhorar a situação da Rede Municipal. “Uma delas é a gestão compartilhada, com a participação de organizações sociais cuidadosamente escolhidas para atender a todas as necessidades pedagógicas dos alunos, sob o controle da administração municipal”, explica a resposta enviada pela Secretaria de Comunicação e Eventos.

O processo de Gestão Compartilhada é o nome dado pela administração de José Crespo para a terceirização da gestão de serviços públicos, em processo semelhante ao que o governo municipal tenta aplicar na área da Saúde. Os processos de terceirização das UPHs estão bloqueados pela Justiça, enquanto o da Policlínica foi publicado no site oficial da Prefeitura nesta quinta-feira (23). O Jornal Z Norte noticiou com exclusividade.


Mais Notícias