Secretaria da Saúde constata aumento nos casos de aids

Saúde 13 maio / 2016 às 21:21

Encorajamento de pessoas que já tinham a doença, deixaram de lado o preconceito e resolveram buscar por tratamento na rede pública é uma das causas do crescimento dessa demanda

 

 

A Prefeitura de Sorocaba conta com uma unidade de saúde especializada em orientar e tratar as pessoas que contraíram algum tipo de Doença Sexualmente Transmissível (DST). O Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) oferece de graça testes para diagnosticar HIV, triagem para sífilis e hepatites virais B e C. Além disso, os munícipes recebem orientação quanto à prevenção e tratamento dessas doenças. Mesmo com o trabalho positivo que é desenvolvido por meio da Secretaria da Saúde (SES) de Sorocaba, os casos de Aids aumentaram no município, assim como o número de heterossexuais infectados pela doença.

Conforme a coordenadora do programa municipal DST/AIDS/Hepatites Virais, Viviane Ruiz Shibuya, o aumento de casos se deve, inicialmente, ao trabalho positivo que é desenvolvido pelo CTA no que se refere ao aumento de diagnósticos. Segundo ela, a unidade auxilia no combate ao preconceito e, por isso, muitas pessoas que tinham vergonha de assumir que têm DST, passaram a procurar o serviço.

De acordo com dados dos exames realizados no CTA, em 2015, houve um crescimento de 22% nos novos casos de Aids no município com relação ao ano interior. Ao todo, no ano passado foram 187 casos notificados de HIV em Sorocaba. Desses, 147 eram homens e 40 mulheres. Em 2014, a SES registrou 146 confirmações da doença: 126 pacientes eram do sexo masculino e 20, do feminino.

Para Viviane Ruiz Shibuya, esses números não significam, necessariamente, que houve aumento nos casos agora. “O que acontece é que, de um tempo para cá, as pessoas começaram a procurar mais o tratamento. Muitas pessoas contraíram a doença há muito tempo, mas não faziam exames, por isso esse número não estava contabilizado”, explica.

Paralelo a isso, Viviane acredita que alguns novos casos podem ter sido motivados, principalmente, pelo fato dos jovens não terem medo de contrair a doença. “Quem tem entre 15 e 30 anos, aproximadamente, não viveu a época em que teve o surto de Aids, que os famosos morriam devido à doença. Por conta disso, a Aids acaba sendo esquecida por eles, que não se previnem”, ressalta.

Quem tem mais de 30 anos, acredita Viviane, toma muito mais cuidado. “Essa geração carrega o medo que vivenciou quando a Aids explodiu, sabe das consequências dessa doença, coisa que a juventude não presenciou.” O número de novos casos em heterossexuais também aumentou. Em 2015, foram registrados 26 pacientes a mais se comparado a 2014. A alta reportada foi de 32,5%. O número de homossexuais e bissexuais com a doença se manteve no mesmo período: 71 e 13 casos, respectivamente.

 

Diagnóstico e tratamento

O CTA está localizado na rua Manuel Lopes, 220, na Vila Hortência, no mesmo prédio do Serviço de Atendimento Municipal Especializado (Same), fato que, ainda conforme Viviane, é um ponto positivo para o tratamento. “Nós do CTA fazemos os testes e, caso seja detectada alguma doença, passamos para o Same imediatamente e a pessoa já sai daqui com retorno agendado”, explica.

Qualquer munícipe pode realizar os testes rápidos sem que haja encaminhamento de alguma Unidade Básica de Saúde (UBS). O CTA oferece testes diagnósticos de HIV e triagem para sífilis e hepatites virais B e C. Os testes são gratuitos e feitos em conformidade com normas definidas pelo Ministério da Saúde (MS).

Conforme Viviane, inicialmente é feito o pré-aconselhamento, momento no qual os profissionais abordam os riscos que a pessoa corre a partir da relação sexual sem proteção. Depois disso, é realizado o exame. O resultado demora em média 40 minutos para sair. “Se der negativo, nós orientamos sobre a prevenção e os cuidados que devem ser tomados. Caso dê positivo, a conversa é um pouco mais longa. Nós falamos sobre o tratamento e encaminhamos diretamente ao Same”, conta.

O tratamento não é tão simples e Viviane afirma que ainda existe muito preconceito. “A maioria dos pacientes não quer ser identificada, então nós garantimos o anonimato. Por conta do preconceito que muitas pessoas não necessariamente sofrem, mas têm medo de sofrer, não são todas que nos procuram que podem estar doentes. Às vezes, só ficamos sabendo de portadores do HIV depois do óbito”, ressalta.

De acordo a enfermeira do CTA, Eleni Valentim dos Santos, leva em média 30 dias para detectar uma Doença Sexualmente Transmissível. “Caso seja a primeira relação sexual da pessoa, que possa trazer algum risco de DST, nós aconselhamos que o exame seja feito em média 30 dias depois. Mas, se o paciente já tiver uma vida sexual ativa, nós fazemos o teste para diagnosticar possíveis doenças transmitidas em relações anteriores”, explica.

 

Prevenir é a solução

Segundo Eleni, o objetivo com o aconselhamento é que os pacientes tenham consciência dos riscos e se previnam. “Infelizmente, não conseguimos isso com todos. Muitos voltam aqui com frequência para fazer os testes, o que significa que continuam tendo relações sexuais sem preservativos. Uma hora ou outra eles vão contrair alguma doença”, alerta.

Eleni conta que não são todos os pacientes que fazem exame que não se previnem no dia a dia. “Pode acontecer algum imprevisto, como estourar o preservativo, por exemplo. O problema é que muitos não usam e têm consciência disso. A gente tem que tentar virar amigo deles e aconselhar sem que eles se sintam invadidos”.

Mesmo assim ela acredita que este cenário pode mudar. “A gente tem que confiar no nosso trabalho. Nós conversamos e tentamos fazer com que a situação não se repita. Nem sempre é possível, mas estamos lutando para que as pessoas entendam a necessidade do cuidado prévio”, esclarece.

 


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