DESPREZADO: Conhecido ponto de lazer na cidade, Parque da Vila Formosa é esquecido pela Prefeitura

Sorocaba 10 fev / 2018 às 19:53

Apelidado de “Abaetézinho”, em referência ao Parque das Águas, no Jardim Abaeté, o Parque da Vila Formosa, inaugurado no fim de 2009, está atualmente esquecido pela Prefeitura de Sorocaba.

Apesar da recente poda de mato em alguns pontos do parque, realizada pela Secretaria de Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema), o local tem recebido poucas atrações culturais e esportivas, e atualmente é conhecido pela alta frequência de usuários de drogas.

Há nove anos, quando o local foi inaugurado pelo então prefeito Vitor Lippi (PSDB), foram instalados equipamentos de academia ao ar livre, parque infantil, além de ciclovia e 850 mudas. Na ocasião, o parque tinha 60 mil m², mas a promessa era de que mais 120 mil m² do parque seriam inaugurados, o que até agora não aconteceu.

“Moro aqui há dois anos, e não tem atração aqui. Só a ginástica, de manhã”, afirma Antonio Miguel, 66 anos, que mora vizinho ao parque. “Tem muito mosquito, e bandido para todo lugar. Nunca entraram na minha casa, mas ficam fazendo bagunça no Parque. É difícil ver viatura aqui”, ressalta o aposentado.

Já para as amigas Francielli Laureano, 23 anos, e Jéssica Dias de França Almeida, de 26, o parque está abandonado. “Antigamente era mais bonito. Tinha um chafariz. Agora tem muito lixo”, ressalta Francielli. “Tinha mais atração. O que tem, de manhã, é a ginástica, mas mais nada. Antes tinha bastante coisa”, lembra Jéssica. Para elas, a insegurança também é um problema sério na região. “Passar pelo parque é caminho para o meu esposo, quando volta do trabalho, mas ele não passa por aqui, por medo de ser assaltado. Vem pela avenida Itavuvu e dá a volta no parque”, explica Francielli.

O estudante Lucas Souza, de 16 anos, lembra que freqüentava mais o parque quando era criança, pois as condições eram melhores. “Agora está feio. Antes era tudo limpo, aberto, sem mato. Agora, até por ser perigoso, não tem mais nada”. O adolescente costumava visitar o local com um primo e um tio, para praticar atividades físicas. “Não venho por ser perigoso. Antigamente, aqui, só tinha criançada. Eles até nadavam no rio”.

A estudante Maiara Rosa da Silva, 23 anos, e a líder de limpeza Marilene Adrião, de 43, destacaram que uma equipe da Prefeitura roçou o mato recentemente, mas após muita insistência. “Eu liguei para reclamar do mato e das lâmpadas, que vivem queimando, aí fica escuro. Agora eles roçaram, mas geralmente demoram para vir”, afirma Maiara. Sobre as atrações culturais, as duas concordam que, antigamente, o parque recebia mais atrações da Prefeitura. “Agora não tem mais nada. O anfiteatro é utilizado por um pessoal de igreja, toda quinta-feira. Mas da Prefeitura mesmo, não tem nada”.

Segundo os vizinhos, o parque também sofre com o vandalismo. A escadaria do anfiteatro está pichada e, ainda, postes com placas de proibido estacionar foram vandalizadas. “Roubaram todas as placas, e só ficaram os postes. E a gente chama a Urbes, porque o pessoal estaciona aqui, e fazem bagunça, mas não adianta nada”, reclama Nelcino Moreira, de 60 anos. Quando o parque inaugurou, ele costumava frequentar as rodas de choro que aconteciam no anfiteatro. “O pessoal sente falta, mas tem medo de vir aqui, principalmente a noite. Uma senhora foi assaltada aqui semana passada”.

 

Desconhecimento

Conforme amplamente publicado pela imprensa e pelos canais oficiais da Prefeitura à época, o projeto do Parque da Formosa contemplava não só a região da Vila Formosa, mas também o Parque das Laranjeiras, e o Jardim Santo André. Questionada, a Prefeitura informou que desconhece que o parque esteja incompleto, no entanto, não há registros da inauguração das outras fases da área. “Sobre as ocorrências no local, a Secretaria de Segurança e Defesa Civil informa que em 2017, foram registradas 34 ocorrências de roubo/assalto, 54 de tráfico de drogas. Já em 2018, foram registrados até agora 30 furtos, não tendo nenhuma ocorrência de tráfico, por enquanto”, informa a nota.

Já sobre as programações culturais no local, a Prefeitura destacou que, em 2017, aconteceram as seguintes atividades: “HIP-HOP AÇÃO COMUNIDADE- com público estimado de 500 pessoas, 16 apresentações musicais, 3 intervenções de dança, Torneio de skate e a batalha de Djs. Além disso, a Secult disponibilizou estrutura para a Folia de Reis em Dezembro de 2017 e Janeiro 2018. No próximo dia 25, o caminhão palco da SECULT estará na praça a pedido da comunidade”.

 


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