BRT é desconhecido por passageiros do transporte coletivo na avenida Itavuvu

Trânsito 21 set / 2018 às 10:37

O projeto do BRT Sorocaba deve sair do papel neste sábado, após 6 anos. Porém, o projeto da Prefeitura ainda é desconhecido pelos usuários do transporte coletivo na Zona Norte da cidade. O Jornal Z Norte foi até o local onde será a solenidade de lançamento das obras, no cruzamento da avenida Itavuvu com a rua Atanásio Soares, para ouvir os sorocabanos sobre seu conhecimento sobre o projeto e suas expectativas.
A atendente Élida Duarte trabalha em uma lanchonete da avenida Itavuvu e utiliza o transporte coletivo diariamente. Questionada sobre o projeto, a moradora afirmou que nunca ouviu falar na sigla. “Nunca ouvi falar”, afirmou. Sua colega de trabalho, Lusdete Magalhães, reconheceu que o nome “não era estranho, mas não faço ideia do que seja hoje”. As duas, que esperavam o ônibus da linha Santa Esmeralda voltando do trabalho, após receberem uma breve explicação sobre o projeto, concluíram que é necessário esperar, mas demonstraram otimismo. “A gente torce para o melhor sempre, para a melhora no serviço prestado. Espero que melhore”, afirmou Lusdete. Élida foi mais cética: “Espero que melhore, mas não acredito não”.
O operador de caixa Lucca Castilho, que também trabalha na avenida Itavuvu, demonstrou surpresa com a sigla BRT, que significa, em inglês, Ônibus de Trânsito Rápido. “Eu vi algumas placas espalhadas pela avenida, mas não imaginava que era sobre transporte. Pensei que fossem apenas as obras viárias mesmo”, explicou. Ele se referiu às placas espalhadas pelo Consórcio BRT Sorocaba pela avenida Itavuvu. Algumas pedem desculpas pelo transtorno causado pelas obras e outras anunciam novas estações. De acordo com Lucca, que viaja diariamente para o Jardim Imperatriz, falta informação para a população.
A estudante Aline Santos, que pega os coletivos todos os dias, também demonstrou surpresa com as informações sobre o projeto. “Não conhecia, nunca ouvi falar neste projeto. Vai começar já?”, questionou. Após uma rápida olhada em um folder sobre o projeto, a estudante não demonstrou entusiasmo. “Não sei se vai ficar bom, mas até ficar pronto vai complicar bastante o trânsito”, cogitou a moradora do Parque Laranjeiras.
Preocupada com o trânsito, após ser informada pela reportagem sobre o início das obras, a também moradora do Parque Laranjeiras, Ana Cláudia, disse que o trânsito pode ficar uma bagunça. “Acho que seria mais fácil trocar os ônibus, e aumentar os horários com esse dinheiro todo, do que ficar fazendo obras. Aumenta o risco de acidentes também”, previu a moradora. Seu colega de trabalho, Diego William, que também utiliza a rede de transporte coletivo, morador do Santa Bárbara, na Zona Oeste, previu que as viagens vão ficar mais demoradas. “Se já demora mais de uma hora e meia para chegar, imagina agora que vai fechar rua por causa de obras”, salientou.
A opinião dele foi reforçada pela estudante Taiane Ramos. Para ela, que também não conhecia o BRT, o sistema de transporte público até pode melhorar, mas isso deve demorar a acontecer. “Olha, não entendo porque tudo isso. Pode até melhorar, mas são muitas obras. O trânsito vai ficar ruim e será uma bagunça geral até ficar pronto. Devia ser melhor avisado”, afirmou a moradora do Santa Esmeralda.
O aposentado Patrício Brasil, que frequentemente usa o transporte coletivo, conhecia o BRT. Segundo ele, ouviu falar do projeto nas campanhas eleitorais e recentemente soube do início das obras. Porém, por ouvir falar do BRT “há muito tempo”, para ele o projeto ainda é algo muito distante. “Estão falando que vai começar, e pode até começar. Mas esse projeto parece aquele ‘trem bala’ entre São Paulo e Rio de Janeiro, que todo governo anuncia, mas nunca fica pronto. Eu acho que a obra pode até começar, mas vai terminar esse governo e não vão fazer tudo”, concluiu o aposentado, referindo-se ao projeto do Governo Federal do trem de alta velocidade que ligaria as duas capitais. A Empresa de Planejamento e Logística, criada no mesmo ano do BRT Sorocaba (2012), ainda não conseguiu tirar o projeto do papel.


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