BRT completa um ano e obras chegam a apenas 10% na cidade

Sorocaba 13 set / 2019 às 12:34

As obras de implantação do novo sistema do transporte público de Sorocaba o Bus Rapid Transit (BRT) completaram um ano em execução na cidade com apenas 10% das atividades já finalizadas, porém os moradores não têm comemorado muito a iniciativa municipal de mobilidade que trouxe junto com as máquinas uma sensação de caos em algumas regiões.

Ao longa da avenida Itavuvu os trabalhos já atingiram 50% de execução nos seis quilômetros da via. Sem finalizar o primeiro trecho, as obras da avenida Ipanema já estão agendadas para começar no final do próximo mês de outubro. “No geral as obras seguem além do corredor Itavuvu, no futuro Terminal Vitória Régia, nos pontos de parada do Corredor Estrutural da Av. General Osório, nas calçadas do Corredor Estrutural Sul e em algumas remoções de interferências do Corredor Oeste, representa mais de 10% do total de obras,” informou a prefeitura sobre a empreitada.

Enfrentando todos os dias a avenida Itavuvu para se locomover até o trabalho, a gerente de vendas Nayara Silva, 22, explica que desde o início das obras a vida de quem precisa utilizar o transporte público piorou. Sobre o futuro do BRT, a moradora questiona a efetividade do serviço, já que Sorocaba não foi planejada para tal empreitada. “primeiramente nas cidades aonde tem BRT foram projetadas anteriormente para que desse certo, agora fazer algo em ruas não planejadas pode causar mais transtorno do que ajudar,” indagou Nayara.

 

Buracos na via

Com o andamento das obras pela avenida da zona norte, o trânsito de veículos foi limitado a uma única faixa que tem sido disputada por carros e motos. Com aumento do fluxo os condutores começam a ter que se preocupar com os buracos na pista.

O vendedor Jean Silva precisa trafegar em uma parte do corredor da Itavuvu para chegar até a zona oeste, onde trabalha. De moto ou de carro o trabalhador reclama dos buracos na via. “Além de travar o trânsito, tem ainda essa coisa dos buracos. É um perigo, a gente precisa ficar desviando o tempo todo,” relatou Silva.

O risco de acidente ainda aumenta se o condutor estiver em cima de uma motocicleta. A estudante Ana Laura Fernandes é moradora da zona norte e trabalha próximo à avenida Itavuvu. A motociclista teme sua segurança ao trafegar de noite pela via esburacada. “Até mesmo no corredor tem buraco, ambos os lados têm. Aí você desvia de um lado e o motorista da frente desvia de outro. Passando pelo corredor ainda tem motorista que não respeita, ocupa um pedaço do corredor e não quer nem saber, é um perigo para gente que vai de moto,” desabafa a moradora.

De acordo com a Prefeitura Municipal, de janeiro a julho deste ano -período em que a via está sob obras do BRT-, a avenida Itavuvu já registrou 63 acidentes, nove deles envolvendo pedestres. Em comparação, em todo ano de 2018 a região registrou apenas 20 casos a mais, contabilizando 83 casos.

 

Pedidos dos comerciantes

Dois meses depois da primeira audiência pública, comerciantes da avenida Itavuvu continuam insatisfeitos os impactos gerados pelas obras do BRT na região. Diante dos problemas, uma primeira Audiência Pública para discutir os impactos causados pelo BRT na economia local foi realizada em 11 de julho deste ano, organizada pelo vereador Renan Santos (PCdoB). Dois meses depois, os comerciantes da região continuam cobrando por mudanças significativas que possam salvar seus negócios.

O proprietário do salão de festas Topázio, Hércules Spinozza, é um dos representantes do grupo de empresários insatisfeitos com as obras. Ele ressalta que a prefeitura não cumpriu as medidas que havia se proposto a realizar. “Até agora fizeram passarelas, eles prometeram nove, mas foram feitas quatro. As outras cinco são passagem nos semáforos que já eram existentes. Quanto aos bolsões para estacionamento não foram realizados, e ainda agentes de trânsito para auxiliar nem se vê por aqui,” cobrou Spinozza.

Questionada, a prefeitura alegou que teria cumprido as exigências apresentadas na audiência pública. “De maneira geral   as principais demandas dos comerciantes foram atendidas, como abertura de novas travessias para pedestres, bandeirinha orientando nas travessias, melhoria da sinalização, melhoria da comunicação, liberação dos principais cruzamentos, e aceleração das obras com trabalhos aos finais de semana,” declarou por meio de nota.

Para tentar pressionar a administração pública e também a empresa BRT, o grupo de empresários se articula em um grupo de Whatsapp para protestar na avenida Itavuvu e reivindicar. “Infelizmente chegamos a um ponto na questão do BRT que se não nos unirmos criando  forças para lutar contra a sequência da construção desta obra , outros comércios como o nosso do primeiro trecho irão sofrer as consequências,” publicou um dos participantes do grupo sobre o caso.

A concessionária que administra as obras do BRT em Sorocaba, foi procurada para se posicionar quanto as reclamações de moradores e de empresários, mas até o momento desta publicação não respondeu aos nossos contatos.


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