ACONTECEU DE NOVO NA SAÚDE – Casal filma salas vazias na UPH Zona Norte e pessoas esperando nos corredores; Para Prefeitura, atitude pode gerar perda de confiança entre médicos e pacientes

Saúde 08 nov / 2018 às 07:48

Um casal de moradores de Sorocaba mostrou, em transmissão ao vivo no Facebook, a falta de médicos presentes na UPH Zona Norte, na avenida Itavuvu. A postagem ocorreu por volta das 13 horas desta segunda-feira (5). A filmagem, com pouco mais de dois minutos, foi feita de modo semelhante à da empresária Célia Ramos, no PA Laranjeiras, que foi atingida por um tiro de choque por um Guarda Civil Municipal enquanto realizava a transmissão. Eles mostraram consultórios sem médicos e pessoas esperando nos corredores. Desta vez, porém, o casal não foi confrontado durante a filmagem. A Prefeitura afirmou, em resposta ao Jornal Z Norte, que a atitude pode gerar perda de confiança entre médicos e pacientes e que Letícia foi medicada em menos de 40 minutos, após sua chegada na unidade.

Em entrevista ao Jornal Z Norte, Letícia Tirabassi explicou que procurou a UPH porque tinha dores provenientes de pedra nos rins. “Quando cheguei lá estava passando muito mal, precisava tomar medicamento pra dor, a UPH estava lotada, não havia nem cadeiras para sentar ao lado de fora”, disse ela.

De acordo com ela, após passar pela triagem, uma enfermeira a informou para que fosse até a sala de espera e esperasse pelo médico. “Após ficar um tempo lá esperando, eu não estava aguentando de dor e perguntei às outras pessoas que estavam aguardando o médico o tempo que estavam lá, algumas pessoas disseram que fazia mais de 3 horas. Um senhor disse que estava há 40 minutos esperando o médico chamar e nenhum médico tinha aparecido pra chamar ninguém ainda”, contou.

Segundo Letícia, ela voltou até a sala de triagem e disse que precisava de medicação e a enfermeira disse que não havia ninguém para passar a medicação, aconselhando a paciente a procurar a secretaria da unidade e solicitar a presença do coordenador. “O coordenador estava no horário de almoço e todos os médicos estavam ausentes. Deveria ter 4 médicos fazendo atendimento e não tinha nenhum! Logo depois que meu esposo começou fazer a filmagem, apareceram 2 médicos e começaram a chamar os pacientes que já estavam ali há muito tempo”.

A moradora, no entanto, reclamou da qualidade do atendimento. “Foi um atendimento bem rápido, apenas passou o remédio, não examinou e após tomar a medicação, o médico me liberou, não me passou nenhuma receita pra medicamentos em casa, não pediu nenhum exame”.

“O meu atendimento de certa forma foi rápido, porque eu fui atrás pra saber porque estava demorando, porque eu realmente não estava aguentando de dor, mas todas as outras vezes que precisei, também fiquei por horas esperando, assim como todas as outras pessoas que estavam lá, já estavam esperando”, salientou a paciente.

Letícia acredita que todos os moradores devem fazer denúncias semelhantes à sua. “É muito complicado. Todos deveriam filmar. Nos comentários do vídeo, tem muitas pessoas dizendo que ficam lá por 3 horas”, relatou.

 

Prefeitura diz que atendimento demorou menos de 40 minutos

A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Saúde (SES), informou que na última segunda-feira (5), na Unidade Pré-hospitalar Zona Norte, no turno das 13h às 19h, “contou com cinco médicos no atendimento, sendo três em consultório e dois na sala de observação e emergência. No horário das 13h ocorre a troca de plantão, neste momento, a equipe médica que está encerrando o expediente necessita passar os casos dos pacientes à nova equipe antes da mesma assumir e retomar os atendimentos”.

De acordo com a Prefeitura, “os consultórios vazios não comprovam ausência de médicos na unidade, pois em muitas situações os profissionais se encontram na sala de sutura, setor de observação e sala de emergência. No dia 5 de novembro houve um aumento no atendimento totalizando 515 consultas”.

Ainda segundo a Prefeitura, “a paciente Letícia Tirabassi teve sua ficha de atendimento aberta às 12h26 e passou pelo acolhimento com enfermeiro às 12h35. Após esse procedimento, a cidadã recebeu atendimento médico. Diagnosticada com cólica renal, foi medicada às 13h05 e liberada”.

Sobre a filmagem, episódio semelhante ao ocorrido com a empresária Célia Ramos, a Secretaria de Saúde afirmou que “a abertura abrupta de consultórios médicos com filmagem podem expor algum paciente de forma inadequada. Caso esse tipo de filmagem se torne mais frequente, levará inevitavelmente à perda da relação de confiança entre médicos e pacientes tão importante para a prática clínica”.


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