SP tem calendário de prevenção na semana da Parada do Orgulho LGBT

São Paulo 17 jun / 2019 às 18:57

A Secretaria de Estado da Saúde montou um calendário especial na semana da 23ª Parada do Orgulho LGBT, que ocorrerá no próximo domingo (23). A ação busca reforçar as atividades de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e amplificar a inclusão de gays, trans e travestis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Vale destacar que a iniciativa é do Programa Estadual de DST/Aids. Nesta segunda (17) e terça-feira (18), no início da semana da Parada, serão realizados 1,5 mil testes rápidos e distribuídos 1,5 mil autotestes de Aids, 28 mil preservativos e 15 mil saches de gel lubrificante. A atividade ocorre no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), entre 11h e 20h30.

Pela primeira vez na história da Parada haverá a distribuição de autotestes de HIV, uma alternativa de diagnóstico precoce da aids, que funciona de modo similar aos testes rápidos, com o diferencial de poder ser feito pela própria pessoa.

A ação é promovida pelo CRT DST/Aids (Centro de Referência e Treinamento), em parceria com a Aids Healthcare Foundation (AHF), e mobilizará 100 profissionais de diversas áreas, como enfermagem, psicologia, serviço social e laboratório.

“O teste detecta anticorpos no fluído oral e o resultado é obtido em 30 minutos. É simples, rápido e indolor, realizado com privacidade e sigilo”, salienta o coordenador do Programa Estadual DST/AIDS-SP, Artur Kalichman.

Prevenção

Já os autotestes são simples de usar. “É possível fazer casa ou em qualquer lugar, no momento que preferir, sozinho ou com alguém em quem confia”, declara a coordenadora das ações de testagem “Fique Sabendo”, do Programa Estadual DST/Aids-SP, Márcia Santos. Os testes são confiáveis, mas não têm caráter diagnóstico. Portanto, se o resultado for positivo, é fundamental procurar um serviço de saúde para confirmação com testes complementares.

“A prevenção é sempre a melhor ação de saúde, pois evita que o paciente adoeça ou, pelo menos, seja diagnosticado precocemente, o que aumenta as chances de tratamento”, afirma o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira.

“O SUS disponibiliza permanentemente, em diversas unidades, testes de HIV e sífilis, preservativos masculinos e femininos, além de orientação e acolhimento. Portanto, os hábitos preventivos estão disponíveis e devem ser buscados em qualquer período do ano”, acrescenta.

Os testes de HIV estão disponíveis no SUS paulista durante o ano todo. A consulta aos serviços pode ser feita pelo Disque DST/AIDS (0800 16 25 50) ou pela internet.

Aniversário

Na próxima quarta-feira (19), o Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP celebrará, das 8h às 13h, o 10º aniversário do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais.

Na ocasião, será abordada a trajetória desse serviço, demandas, perspectivas e papel na inclusão de travestis e transexuais no SUS. Participarão do evento instituições parceiras fundamentais para o sucesso do ambulatório.

Para participar, é preciso fazer inscrições, até a data do evento, também pela internet. O encontro será realizado no Centro Formador de Pessoal para Saúde (CEFOR), localizado na Rua Dona Inácia Uchoa, 574 – Vila Mariana – São Paulo – SP.

Na quinta-feira (20), o Programa Estadual DST/Aids-SP participará da 19ª edição da Feira Cultural LGBT, que acontecerá na Praça da República, das 10 às 22h. Serão distribuídos 1 mil autotestes, 14 mil preservativos masculinos, 1 mil preservativos femininos e 12 mil sachês de gel lubrificante. As equipes estarão no local das 10h às 17h.

Estatísticas

Os dados do Programa Estadual de DST/Aids demonstram um aumento no número de casos de aids entre Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH). Desde 1980, foram confirmados 183.141 casos de aids em homens com 13 anos ou mais; destes, 53.126 referem-se à categoria HSH.

Esse segmento é o único que tem aumentado a participação proporcional e absoluta no total de casos. Em 2007, esta população correspondia a 31,3% dos casos entre homens com 13 anos.

Em 2017, essa porcentagem subiu para 50,3%. No mesmo período, o número de casos na faixa de 20 a 24 anos subiu de 17 para 32 infectados a cada 100 mil homens. Nas demais idades, esse número vem diminuindo ou se estabilizando. Os dados apontam a grande vulnerabilidade de adolescentes e jovens gays (homens que fazem sexo com homens) para a infecção pelo HIV.

“É importante ampliar as estratégias de prevenção para que os jovens homossexuais adotem práticas sexuais mais seguras”, avalia a coordenadora-adjunta do Programa Estadual DST/Aids-SP, Rosa Alencar Souza.

“O exercício da cidadania e a luta contra o preconceito e a discriminação são duas questões básicas que devem ser vinculadas ao trabalho de educação em saúde sexual e prevenção das IST/HIV/Aids”, completa a gestora, que enfatiza ainda a importância do diagnóstico precoce e convida a população a participar dos eventos relativos à semana da Parada LGBT e realizar os testes.

De acordo com Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, a parceria entre a ONG internacional, presente em 43 países, e órgãos governamentais de renome, como o CRT DST/Aids-SP, fortalecem a estratégia de valorizar o SUS e ampliam as ações transversais de testagem do HIV.

“Precisamos romper o estigma e o receio das pessoas em fazer o teste e descobrir se têm HIV. Por isso, testagem na rua, junto das pessoas, em um evento da magnitude da Parada LGBT, que reúne todos os públicos mais vulneráveis, é uma oportunidade de promover o autocuidado”, diz.


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