Em audiência pública, equipe blinda Crespo e empurra jornalistas

Política 16 abr / 2018 às 09:15

O prefeito José Crespo (DEM) participou, nesta última quarta-feira (11), de uma audiência pública para explicar a reestruturação da Saúde. Se não bastasse não conseguir convencer os parlamentares e munícipes, o chefe do Executivo foi totalmente blindado por sua equipe de comunicação. Por duas vezes, o secretário de Comunicação, Eloy de Oliveira, empurrou e impediu a equipe de reportagem do Jornal Z Norte de se aproximar de José Crespo. Jornalistas de outros veículos também foram empurrados.

 

Silêncio

Além da impossibilidade de falar com o prefeito, a nova secretária da Saúde, Marina Elaine Pereira, também foi blindada. Abordada durante transmissão ao vivo em nossa página oficial no Facebook, Marina, que tem formação em Direito e cuidava da Ouvidoria do Município, disse rapidamente que a reestruturação é necessária porque “não há RH”. No entanto, um assessor de imprensa interveio e impediu que a entrevista continuasse.

 

Ela falou

Quem aceitou conversar com a imprensa foi a vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB). Além de questionar o Controlador Geral do Município, Mário Mortara, a respeito do teto de gastos permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a ex-delegada não se furtou a atender nossa equipe de reportagem. “Eu consultei a Lei de Responsabilidade Fiscal e vi que caberia à Prefeitura, na possibilidade de gastos, 54% da receita líquida, mas um dos artigos diz que o município poderia chegar até 60%, e aí eu perguntei, e o nosso Controlador me explicou que 54% compete à Prefeitura e os outros 6% ao legislativo”.

 

Tragédia anunciada

Durante sua fala na audiência, Crespo evidenciou que ter estendido, por meio de lei aprovada na Câmara, os benefícios dos funcionários ativos, aos aposentados, foi ruim. “A gente sabia que essa bola de neve ia explodir no colo de algum governo. Foi um risco calculado, uma tragédia anunciada. […] A Funserv poderia nem existir mais. É importante para os convênios, mas para o resto, poderia não existir mais”, afirmou.

 

Teto de vidro

Entre os vereadores que fizeram questionamentos e se pronunciaram oficialmente durante a audiência, Anselmo Neto (PSDB) disse uma frase emblemática: “quem era pedra, também vira vidraça. Hoje eu estou vendo alguém que era pedra, ser atingido pelos outros”, referindo-se a época em José Crespo era vereador e “atacava” os governos dos tucanos Vitor Lippi e Antonio Carlos Pannunzio.


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