Polícia Federal deflagra operação contra crimes de perigo à aviação em Sorocaba

Polícia 10 abr / 2019 às 12:47

Agentes da Polícia Federal e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) cumprem três mandados de busca e apreensão em Sorocaba, após a deflagração da Operação “Dédalo”. Outros sete mandados estão sendo cumpridos, em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Apesar da operação, até agora nenhuma prisão foi decretada. No entanto, os investigados poderão responder pelos crimes de perigo à aviação, falsificação de documentos, falsidade ideológica e sonegação fiscal cujas penas isoladas variam de 1 a 6 anos de reclusão.

Segundo nota divulgada pela ANAC, as investigações se iniciaram em 2016, em razão de denúncia de irregularidades na manutenção de aeronaves e reportagens veiculadas pela imprensa à época, vinculando essas irregularidades a quedas de helicópteros. Após a instauração do inquérito policial, a PF, em conjunto com a ANAC, inspecionou as empresas investigadas, em que foram apreendidos documentos, peças e aeronaves. Exames periciais e análise dos documentos, além de contatos com fabricantes, comprovaram indícios de compra de aeronaves sinistradas, com reparos além dos limites permitidos pelo fabricante, a utilização de registros supostamente fraudulentos ou com o aproveitamento de plaquetas e documentação para emprego em outras aeronaves, e falhas nos controles, colocando em risco a aviação civil.

Ainda segundo a ANAC, também ficou evidenciada a falsificação de documentos, a não-prestação ou prestação parcial ou dissimulada de informações aos órgãos de controle, com o objetivo de dificultar ou iludir a fiscalização do órgão, além de fraudes fiscais nos processos de importação de aeronaves. Cerca de 50 Policiais Federais e 20 fiscais da ANAC participam diretamente da operação. Os outros mandados de busca acontecem em Joinville (SC), Rio do Sul (SC), Curitiba (PR), e em Birigui (SP), em oficinas, residências e empresas, incluindo 7 aeronaves sem condições de voo. Tais aeronaves possuem irregularidades documentais e estruturais que colocam em risco a aviação civil. Não houve prisões.

A operação foi nominada Dédalo que, na mitologia grega, ficou conhecido como um homem muito sábio e criativo, pai de Ícaro. Dédado fabricou asas de penas ligadas com cera para que ele e Ícaro pudessem voar e fugir do labirinto onde estavam presos. Mas na fuga, Ícaro se aproximou muito do sol, a cera derreteu e ele caiu no mar. Da mesma forma, o uso de peças não adequadas em aeronaves pode provocar acidentes aéreos.


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