Empresas do Parque Tecnológico desenvolvem pálpebra artificial

Mundo Pet 26 jan / 2017 às 10:05

Com uma técnica pioneira, empresas do Parque Tecnológico de Sorocaba utilizaram uma impressora 3D para criar um tecido vivo e reconstruir as pálpebras de uma cachorrinha. Sofia, uma cadelinha de cinco anos, foi quem recebeu o tecido e pode ter – a partir de agora- uma qualidade de vida melhor.

“Desenvolver novas tecnologias e servir à população através dos seus serviços”, assim Roberto de Machado Freitas, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, resumiu o papel do Parque Tecnológico de Sorocaba, presidido por ele.

Essa aplicação das impressoras 3D faz parte do campo de conhecimento da biotecnologia veterinária e no futuro pode ser ampliada para aplicações similares em seres humanos.

Sofia havia perdido a pele da região da cabeça e dos olhos após uma briga com outros cachorros e seus proprietários buscavam formas para minimizar o seu sofrimento. A gerente de lojas, Sônia Batista, de 47 anos, que tinha adotado o animal dois anos antes, fez de tudo para que ela tivesse um atendimento de excelência.

Ela foi transferida de Votorantim para um hospital veterinário em Sorocaba, que entendeu que uma cirurgia reconstrutiva tradicional não seria suficiente. Mário Scarpelli Calejo, veterinário responsável pelo procedimento, foi quem optou pela busca de uma técnica pioneira para tratar Sofia. Calejo é um dos sócios-proprietários da empresa Cell4Tech, que opera incubada pela Hubiz no Parque Tecnológico de Sorocaba. A Hubiz é um programa de apoio à criação de negócios focados em inovações tecnológicas e novas aplicações e coordena as empresas iniciantes no Parque Tecnológico a desenvolverem habilidade e planos de negócios.

 

Pioneirismo

O procedimento foi realizado a partir de uma técnica até então inédita no Brasil. O empresário norueguês Andreas Kassi, dono da Eva Scientific, outra empresa incubada no Parque Tecnológico, e que detém conhecimento técnico-científico para produzir biomembranas absorvíveis sintetizadas, foi quem aprimorou o processo de construção das pálpebras.

Altamente ricas em colágeno e biocompatíveis, as duas membranas tem 7×3 cm de dimensão foram confeccionadas a partir de impressão 3D, no Laboratório do Instituto Nacional de Biofabricação da Unicamp, em Campinas.

Para o veterinário Calejo, o sucesso da cirurgia em Sofia só demonstra o alto potencial do setor de biotecnologia e o acerto nesse tipo de apoio por parte da Prefeitura de Sorocaba, que é quem mantém o Parque Tecnológico através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda.

Além de contribuir com a saúde e bem-estar animal, a médio e longo prazo, esse tipo de técnica poderá ser expandida e ganhar novas aplicações, inclusive para procedimentos em seres humanos.

A equipe que realizou o implante foi composta por oito profissionais, entre elas o proprietário da Eva Scientific. O processo, a partir de pele artificial para criar um novo tecido vivo, leva até três meses para regeneração da pele, sendo feito, posteriormente um novo procedimento cirúrgico para a reconstituição plena da área.

 

Resultados

Segundo Sônia Batista, proprietária de Sofia, a cachorra ficou por aproximadamente 40 dias internada em uma unidade hospitalar veterinária para acompanhamento e monitoramento. Nesse período os pelos começaram a crescer e o sangue passou a circular normalmente pela região, o que demonstra o sucesso do procedimento. O tratamento da cachorra teve um custo estimado de R$ 2 mil, valor considerado baixo para procedimentos veterinários.

 


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