Hospital Dr. “Adib Domingos Jatene” sedia encontro com profissionais da saúde para debater notícias difíceis na área médica

Inclusão 26 nov / 2018 às 17:21

Cerca de vinte profissionais da saúde, dentre fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos em enfermagem, terapeutas ocupacionais e psicólogos, participaram de uma palestra, seguida de debate, sobre como dar notícias difíceis em saúde e conduzir situações delicadas no ambiente hospitalar. O encontro foi realizado na noite de quarta-feira (21/11), no Centro de Estudos do Hospital Dr. “Adib Domingos Jatene”, em Sorocaba (SP).

A palestrante Prof.ª Dra. Ana Laura Schliemann, mestre em Psicologia e doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), participou do evento a convite da Prof.ª Dra. Matilde Sposito, médica fisiatra, especialista em bloqueios neuroquímicos e coordenadora da área de Reabilitação do hospital.

Prof.ª Dra. Ana Laura Schliemann falou sobre como conduzir situações delicadas no ambiente hospitalar

Prof.ª Dra. Ana Laura Schliemann e Prof.ª Dra. Matilde Sposito debateram com os participantes do encontro-1

Durante o bate-papo, a Prof.ª Dra. Ana Laura explicou que o conceito de notícia difícil pode variar muito, de acordo com a cultura e a experiência de vida de cada pessoa. “Dependendo da religião e do atual quadro de saúde da pessoa, a morte, por exemplo, não necessariamente é entendida como algo ruim. Há familiares de doentes terminais que ficam confortados com o fato, por representar para eles o fim do sofrimento. Outros não aceitam, ficam em choque, sobretudo quando acontece de maneira inesperada, como nos casos de vítimas de acidentes. Por isso, não existe uma receita pronta para dar notícias difíceis. É preciso desenvolver a sensibilidade para observar a situação dos envolvidos e buscar a maneira menos dolorosa possível de falar, sem omitir informações”, detalhou.

Prof.ª Dra. Matilde Sposito, que também debateu ao lado Prof.ª Dra. Ana Laura, explicou que lidar com essas situações é desafiador para o profissional da saúde, que é capacitado e treinado para salvar vidas. “Embora seja um processo natural, a morte vai contra a missão do profissional da saúde, que é lutar para que a pessoa se recupere e volte para casa. Caso não haja preparo psicológico adequado, a saúde mental do profissional pode ser negativamente afetada”, frisou, durante a palestra.

Os participantes também tiraram dúvidas sobre como agir em situações de tensão com pacientes e familiares ou durante conflitos com colegas de trabalho. “A chave de tudo é manter o diálogo e buscar ouvir e entender o momento vivido pela pessoa que está emocionalmente abalada. Embora sejam situações frequentes em hospitais, é um momento único para o paciente e seus familiares, que precisam ser respeitados e compreendidos”, pontuou Prof.ª Dra. Ana Laura.

 

Sobre a palestrante

Ana Laura Schliemann é doutora em Psicologia Clínica e mestre em Educação (Psicologia da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua como assistente-doutora e professora dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia na mesma instituição. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia da Saúde, atuando, principalmente, nos seguintes temas: criança, morte, qualidade de vida, família, saúde e pessoas com deficiência. Ela, ainda, possui livros publicados na área da Saúde, Psicologia e Cuidados Paliativos.


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