Especial Dia dos Namorados: O amor no caminho, história de casais que amam à distância

Atualidades 12 jun / 2019 às 19:36

Fernando Pessoa já dizia que “o amor é uma companhia” e que não se pode andar só pelos caminhos. Por isso, em comemoração ao Dia dos Namorados, que ocorre nesta quarta-feira (12), o Jornal Z Norte foi atrás de histórias de casais que nem sempre estão do lado da companhia que mais amam, mas estão sempre, que possível, no caminho para encontrá-las.

Conhecer o amor da sua vida pode acontecer em diversos lugares, seja no cursinho, no trabalho ou até nos aplicativos de namoro. Às vezes, antes do namoro vem a amizade, esse é o caso do casal Ana Letícia Forte de Carvalho, 22, e Rafael Brunholli, 22. Juntos desde 2015, eles se conheceram quando estudavam juntos para o vestibular, na cidade de São José do Rio Preto. “Já nos conhecíamos e tínhamos um círculo de amizade próximo, mas o primeiro beijo foi no começo de dezembro de 2015. No dia 5 ou 6, o tempo tirou minha certeza,” comentou Brunholli, que ria da dificuldade de assegurar o dia inicial do relacionamento.

Três anos depois e já aprovados no vestibular, Ana Letícia mora em Bauru, cerca de 240km de distância do namorado, que estuda em Sorocaba. A universitária comenta sobre a rotina de encontros desse amor que precisa pegar a estrada. “Sempre conversamos bastante ao longo do dia pelo Whatsapp. E algumas vezes por ligação, mas com uma frequência bem menor. Tentamos nos ver quase todo final de semana, mas nem sempre é possível. No geral, acho que de 15 em 15 dias estamos juntos,” garante ela, que complementa sobre maior dificuldade no relacionamento à distância, “além da saudade, acho que a vontade de compartilhar pequenas coisas no dia a dia é o que mais falta.”

O casal tem planos de no futuro acabar com a distância e morar juntos em uma possível terceira cidade. Enquanto isso, os dois seguem se revezando pelas estradas, costurando os caminhos e a história desse amor universitário.

Amor em horário comercial

Há quem encontre o amor na escola, às vezes na faculdade, ou até mesmo no Tinder. Algumas pessoas encontram o amor no trabalho, já na vida adulta. Assim como Carlos Drummond de Andrade, o amor, para alguns vem “no tempo da madureza.” Assim se conheceram Thiago Trevisolli, 35, e Raissa Tardelli, 26, enquanto trabalhavam no Sesc de Sorocaba como professores de educação física. Mas como nem todo romance é à primeira vista, esse precisou de um tempo para aflorar. “Trabalhamos juntos por um mês, porém pouco conversamos, ela namorava e me achava meio antipático”, relembra Trevisolli. Ela namorando e tão pouco o achando interessante, esse namoro improvável só começou depois que os dois se encontraram em um aplicativo de relacionamento. Os dois não vão conseguir estar juntos no dia 12 de junho, mas esse não é um problema. “Iremos passar separados o dia dos namorados, pois cairá no meio de semana. Mas comemoraremos no sábado,” afirmou Trevisolli. Raissa continuou morando em Sorocaba, por conta do trabalho Thiago foi transferido para outra cidade. Para matar a saudade o casal se fala diariamente e se encontram todos os finais de semana. Mais uma história de amor, que para se manter segue sempre com os pés na rodovia, contando os quilômetros para encontrar a pessoa amada.

“Eu encontrei ela no Tinder”

Nos tempos da modernidade tudo se transforma, até a forma de encontrar um grande amor. Se antes era preciso eventos sociais para conhecer alguém da mesma cidade, hoje a tecnologia dá uma força e possibilita encontros inusitados, de pessoas que as vezes estão há milhares de quilômetros de distância. Assim se deu o encontro de Camila Gabrielle, 22, e Jonathan Calzavara, 25, trocando likes no Tinder o Match aconteceu. Ela de Aracaju, em Sergipe, ele em Itu, em São Paulo.

Camila relembra que conheceu seu match perfeito quando visitava o estado de São Paulo. “estava passando uma temporada em Campinas, na casa de parentes, por conta do vestibular. Ele morava em Itu, que fica há 1 hora, no máximo de Campinas.  A gente ficou conversando por um tempo por celular e skype, até que resolvemos nos encontrar,” contou. O primeiro encontro aconteceu em uma rodoviária de Campinas, dali em diante, o amor não subiu no ônibus e foi embora.

O casal continuou a conversar pela internet, agora já são quatro anos de namoro. Camila passou no vestibular e veio estudar no estado de São Paulo. Enquanto estudava no Centro-oeste paulista e ele no Sudoeste, o casal se dividia nas viagens, assim como na primeira vez, sempre se encontrando nas rodoviárias.

Mesmo com a distância inicial de mais de dois mil quilômetros interestaduais e a saudade, o casal conseguiu acabar com as viagens e ficar junto. “Desde a época da faculdade a gente pensava em morar junto. Eu fico feliz que após as dificuldades a gente tenha conseguido. Morar junto não é um mar de rosas, porque somos pessoas diferentes e respeitar a diferença, a opinião e o espaço do outro não é fácil. Mas, isto também é uma prova de amor,” garante.

Essas três histórias têm em comum a vida na estrada, mostrando que a distância nunca é uma barreira para amar. Independentemente da forma como ocorrem os encontros, todos eles carregam em si a vontade de estar perto, sempre que possível. A cada quilômetro rodado, esses casais vão construindo suas memórias e confirmando o que “a saudade não compensa, e que a ausência não dá paz.”


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